Impasse sobre gabinete palestino emperra esforço de paz

A crise na liderança da Autoridade Nacional Palestina (ANP) intensificou-se nesta quinta-feira (06) depois que o internacionalmente respeitado ministro das Finanças Salam Fayad, ficou em casa em protesto contra as disputas políticas que retardam a formação de um novo gabinete de governo. As divergências entre o presidente da ANP, Yasser Arafat, e seu primeiro-ministro, Ahmed Qureia, também estão emperrando a retomada dos contatos de alto nível entre palestinos e israelenses e poderiam prejudicar uma conferência internacional de doadores que vêm apoiando a quebrada Autoridade Palestina. Em atos de violência ocorridos nesta quinta-feira, dois palestinos foram assassinados em incidentes separados na Cisjordânia. Soldados israelenses dispararam contra um carro que tentou esquivar-se de um bloqueio rodoviário na Cisjordânia, matando um passageiro, denunciaram testemunhas. Sob condição de anonimato, um militar israelense alegou que o passageiro jogou uma mala nos soldados e o taxista ignorou ordens para parar o carro. Em Nablus, também na Cisjordânia, uma mulher de 38 anos estava na sacada de sua casa quando começou um tiroteio entre soldados israelenses e pistoleiros palestinos. Ela foi atingida por uma bala perdida e morreu, disseram médicos. Em Ramallah, o centro da disputa entre Arafat e Qureia é a indicação para o cargo de ministro de Interior, que será responsável por comandar o combate aos grupos armados. O escolhido terá amplos poderes sobre as forças palestinas de segurança, das quais algumas facções são atualmente comandadas por Arafat. Arafat vetou a indicação do general Nasser Yousef, apresentado por Qureia, em parte por não querer abrir mão do comando sobre as forças de segurança. Mahmoud Abbas, antecessor de Qureia, entrou em choque com Arafat pelo mesmo motivo quando era primeiro-ministro da ANP. Arafat e Qureia reuniram-se hoje com líderes do movimento político Fatah, ao qual os dois pertencem, mas não conseguiram superar o impasse. O Comitê Central da Fatah deverá reunir-se ainda hoje. Em outro desdobramento, uma mulher palestina que levou um adolescente israelense à morte em 2001 depois de se conhecerem pela Internet foi condenada à prisão perpétua por uma corte israelense.

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