Impasse sobre resolução na ONU adia inspeções no Iraque

O chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, resolveu não iniciar o trabalho de verificação do arsenal do Iraque enquanto o Conselho de Segurança (CS) não decidir-se sobre a aprovação ou não de nova resolução sobre o desarmamento do país. Blix estava tentando marcar para o dia 19 o retorno de sua equipe a Bagdá - pautando-se pelas resoluções existentes. Mas ele cedeu a pressões dos EUA e Grã-Bretanha, durante reunião nesta quinta-feira em que expôs aos 15 membros do CS os resultados do encontro com uma delegação iraquiana em Viena, na segunda e terça-feira. Nessa reunião, o Iraque se comprometeu a acatar os termos das resoluções existentes.Em seu relato ao CS, Blix admitiu que há ainda "brechas" a serem esclarecidas no compromisso iraquiano de permitir o retorno incondicional dos inspetores, como as limitações para o trabalho nos oito complexos presidenciais, nos quais norte-americanos e britânicos suspeitam que o presidente Saddam Husseim esconda o arsenal de armas químicas, biológicas e nucleares. Nesta sexta-feira Blix se reunirá com o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell.Não havia indícios hoje de que os membros permanentes do CS estejam prestes a chegar a um acordo. Depois de o vice-chanceler russo, Alexander Saltanov, ter dito que seu país considera inaceitável uma resolução prevendo o uso automático da força contra o Iraque, o presidente George W. Bush indicou que os EUA poderão construir uma coalizão de líderes mundiais dispostos a unir-se a ele numa ação militar contra Bagdá - mesmo que o CS não apóie. "Cabe à ONU mostrar determinação", disse Bush. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, frisou que "de nada adianta poder verificar 99% do país se as armas estão localizadas e estocadas no 1% restante".Não está claro até que ponto os EUA estão dispostos a fazer concessões ao CS na proposta de resolução, revela o diário britânico The Guardian. O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, adotou hoje tom mais moderado, enfatizando que "a questão é o desarmamento". Mas voltou a dizer que os EUA podem agir, se a ONU não tomar ações duras.Segundo jornal inglês, apesar de Blair apoiar a posição norte-americana, a chancelaria britânica está considerando seriamente a proposta da França, pela qual seriam aprovadas duas resoluções: a primeira, fixando as obrigações iraquianas; a segunda, prevendo o uso da força contra Bagdá, só seria firmada se os iraquianos não cumprirem seus compromisso.O Iraque acusou hoje a aviação britânica e norte-americana de ter matado cinco civis durante bombardeios na zona de exclusão aérea no sul do país. O Pentágono confirmou o ataque a "instalações militares", alegando que forças iraquianas tentaram derrubar um avião dos EUA.

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