Impasse toma conta de negociação e Irã vê 'pouca possibilidade' de acordo

Primeira versão de texto apresentado na manhã deste sábado não agradou franceses e americanos; impasse envolve moderno reator de Arak que Irã está construindo

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2013 | 11h28

GENEBRA - As grandes potências não estão se entendendo sobre um acordo nuclear com o Irã e a negociação, que caminhava a um passo acelerado, passa neste sábado por um momento de impasse. Pela manhã, o governo francês indicou que não aceitava o texto que estava sobre a mesa, já praticamente fechado. O governo americano também pediu novas garantias para o acordo.

As diferenças entre as posições já faziam negociadores preverem uma pausa de dez dias no diálogo. "Há poucas possibilidades de que chegaremos a um acordo", declarou o chanceler iraniano, Javad Zarif. "Se não chegarmos a um acordo, voltaremos em uma semana ou dez dias", declarou Abbas Araghchi, vice-chanceler iraniano.

Desde quinta-feira, Irã, EUA, Rússia, China, Alemanha, França e Grã-Bretanha estão reunidos para tentar fechar um acordo. Todos concordam com o princípio de que, em troca de um congelamento da expansão do programa nuclear iraniano, parte das sanções que pesam sobre Teerã seriam reavaliadas.

Um rascunho do texto chegou a ser concluído. Mas, quando ele circulou entre diplomatas na manhã deste sábado, Paris optou por incrementar as exigências e contou com o apoio americano, na esperança de dar provas a seus congressistas e aliados como Israel e Arábia Saudita de que questões de segurança não serão colocadas em xeque.

"Temos de levar em consideração as preocupações do Irã", alertou Laurent Fabius, chanceler francês.

A reação de franceses e americanos irritou Teerã, que argumentava que o texto havia sido elaborado pela chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. Os iranianos temem serem vistos novamente como os responsável pelo fracasso.

O Irã já teria concordado com três pontos do acordo: parar a expansão de seu programa de enriquecimento a 20%, evitar ligar o reator de plutônio de Arak num prazo de seis meses da assinatura do acordo e deixar de operar suas centrifugas ultra-modernas, que permitem o enriquecimento do urânio a uma velocidade superior.

"Esse não é nosso texto. Não o aceitamos", declarou Fabius. O Palácio do Eliseu insistiu que o reator que o Irã está construindo nas proximidades de Arak deve ser destruído ou pelo menos que as obras sejam interrompidas. A previsão é que o reator fique pronto em meados do ano que vem, no que seria um avanço fundamental no caminho para uma bomba.

Fabius ainda quer impedir todo o enriquecimento a 20%. "Temos de voltar a níveis de 5%", insistiu. Ao Estado ele deixou claro: "Pontos fundamentais de um acordo ainda estão pendentes."

O chanceler russo, Sergei Lavrov, tentou pressionar por um acordo. Mas os franceses acabaram ganhando o apoio americano. Uma coletiva de imprensa deve ser realizada na noite deste sábado por iranianos e europeus para esclarecer a situação.

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