Divulgação/Sheriff's Office of Alexandria, Virginia
Divulgação/Sheriff's Office of Alexandria, Virginia

Impeachment: Assessores de advogado pessoal de Trump são presos nos EUA

Acusados de violar a lei eleitoral americana, os dois são testemunhas importantes do processo de impeachment contra o presidente aberto na Câmara dos Deputados

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2019 | 11h58
Atualizado 10 de outubro de 2019 | 18h48

NOVA YORK - Dois empresários e assessores de Rudy Giuliani, advogado pessoal do presidente Donald Trump, foram presos na noite de quarta-feira, 9, após serem indiciados por violar a lei eleitoral americana em um caso federal de Nova York, segundo a Procuradoria-Geral de Manhattan. Lev Parnas e Igor Fruman também foram acusados de financiar esforços para a investigação de adversários políticos de Trump.

Os dois são testemunhas importantes do processo de impeachment contra o presidente aberto na Câmara dos Deputados. Eles foram acusados de ajudar Giuliani a investigar negócios de Hunter Biden, filho do pré-candidato democrata à presidência Joe Biden, na Ucrânia. Os dois foram presos no Aeroporto Internacional de Washington. Segundo uma fonte do caso, eles planejavam embarcar para Viena. 

De acordo com o Wall Street Journal, Giuliani havia almoçado com os dois horas antes, no restaurante do Trump International Hotel, na capital americana. 

Parnas é um empresário ucraniano. Fruman é um investidor do setor imobiliário nascido na Bielo-Rússia. Ambos, de acordo com várias reportagens da mídia americana, ajudaram a introduzir Giuliani na alta roda da política ucraniana e o colocaram em contato com procuradores ucranianos. O advogado pessoal de Trump então incentivou os investigadores a analisar irregularidades da família Biden no país.

Foram as ações de Giuliani na Ucrânia que resultaram no telefonema de 25 de julho, de Trump para o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski. Na conversa, que foi o estopim para a abertura de um processo de impeachment, o americano pede a Zelenski que Biden e seu filho sejam investigados. 

Parnas e Fruman conspiraram para “canalizar dinheiro estrangeiro para candidatos a cargos federais e estaduais”, de acordo com autos de um tribunal federal de Nova York. Os dois fizeram contribuições ilegais usando laranjas, segundo o indiciamento. Em maio de 2018, diz o processo, Parnas e Fruman doaram US$ 325 mil a um comitê de ação política pró-Trump chamado America First Action. A doação foi relatada falsamente como vinda de uma suposta empresa de gás natural.

Os dois homens afirmaram falsamente que a empresa GEP era “um empreendimento comercial verdadeiro” e “seu principal objetivo é a comercialização de energia, não a atividade política”, conforme o indiciamento.

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As prisões foram o desdobramento mais recente e dramático de uma saga política que ameaça o governo Trump, com o processo de impeachment aberto na Câmara. Parnas foi convidado a depor nesta quinta-feira à comissão da Casa que analisa o impeachment. Fruman foi chamado para depor na sexta-feira, 11. Como o convite não foi atendido, os democratas estudam intimá-los a depor.

Outros dois colaboradores de Giuliani foram indiciados hoje: David Correia e Andrey Kukushkin. Correia foi preso na Califórnia e Kukushin, que nasceu na Bielo-Rússia e tem cidadania americana, está foragido. 

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John Dowd, advogado de Parnas e Fruman, não quis comentar as acusações. Giuliani não respondeu de imediato a um pedido de comentário. No mês passado, ele minimizou as investigações sobre seus assessores. "Foi uma questão de financiamento eleitoral. Indiquei um advogado a eles que deve resolver a questão", disse. 

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Nessa quarta-feira, Joe Biden se manifestou a favor do processo de impeachment contra Trump. Segundo Biden, o presidente americano “traiu” o país e violou seu juramento.

“Para proteger nossa Constituição, nossa democracia, nossos princípios fundamentais, (Trump) deve ser objeto de um processo de destituição”, disse o vice de Barack Obama durante um comício, que tem sido acusado reiteradamente por Trump por corrupção.

Biden ainda acrescentou que Trump “pisoteia na Constituição e não podemos deixá-lo escapar com isso”. Para o democrata, Trump “não vê limites aos seus poderes”. Ele publicou um vídeo de seu discurso em sua conta no Twitter. 

Zelenski nega ter sido chantageado

Zelenski, por sua vez, afirmou nesta quinta-feira, 10, que não sofreu nenhuma chantagem por parte do colega americano Donald Trump, suspeito nos Estados Unidos de ter bloqueado ajuda militar para forçar Kiev a investigar o filho do rival democrata Joe Biden.

"Não houve nenhuma chantagem", afirmou Zelenski em uma entrevista coletiva, em referência a uma conversa telefônica que resultou, para Trump, na ameaça de um processo de impeachment.

De acordo com uma fonte, Trump pediu a Zelenski uma investigação sobre as atividades da empresa de gás ucraniana Burisma, de Hunter Biden, filho de Joe Biden. De acordo com as pesquisas, ele é o pré-candidato democrata com mais possibilidades de obter a indicação do partido para a eleição presidencial de 2020.  / NYT

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