Stephanie Keith/Getty Images/AFP
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Impeachment: Câmara intima governo Trump a enviar documentos sobre Ucrânia

Segundo os deputados, se Mike Pompeo não cumprir intimação, pode responder por obstrução de Justiça. 

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 18h12

WASHINGTON - Três comissões da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, que investigam Donald Trump, intimaram nesta sexta-feira, 27, o secretário de Estado, Mike Pompeo, a fornecer documentos sobre as relações do presidente com a Ucrânia. Se o chefe da diplomacia americana não obedecer, pode responder por obstrução de Justiça.

A intimação é a primeira medida adotada pelos deputados no processo de impeachment do presidente, que investiga se ele pressionou o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, a investigar o democrata Joe Biden, possível adversário de Trump nas eleições de 2020, usando como contrapartida a liberação da ajuda militar ao país. 

Os deputados democratas querem saber também se Rudy Giuliani, advogado pessoal de Trump, visitou a Ucrânia para discutir a pressão sobre Biden com o auxílio de funcionários do Departamento de Estado.

Nesta sexta, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, disse que pretende acelerar o processo de impeachment e concluí-lo até o fim de outubro. Os primeiros depoimentos devem ocorrer na semana que vem.

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Estão intimados a ex-embaixadora americana na Ucrânia, Marie Yovanovitch, e outros quatro diplomatas americanos. O objetivo é que o processo termine o mais rápido possível para não sobrecarregar o Congresso durante a campanha eleitoral – as primárias presidenciais começam em janeiro e a eleição será em novembro. 

Obstrução

O Washington Post revelou nesta sexta que a Casa Branca vem tomando medidas há pelo menos dois anos para impedir que detalhes de telefonemas entre Trump e os líderes mundiais venham a público. A preocupação não é nova. Desde o começo do governo, vazamentos de detalhes embaraçosos de telefonemas provocaram a ira do presidente – especialmente as ligações para o premiê da Austrália, Malcolm Turnbull, e para o presidente do México, Enrique Peña Nieto, em 2017.

O resultado foi a criação de um clima de paranoia entre seus aliados mais próximos. Desde então, o número de assessores com permissão de acesso a linhas seguras caiu. A lista de membros do gabinete com acesso a memorandos sobre os telefonemas também foi restringida. Além disso, segundo fontes da Casa Branca ouvidas pelo Washington Post, o número de cópias de registros dos telefonemas enviados a outras agências diminuiu e ganhou o selo de “só para leitura, e não cópias”. 

Em 2018, a Casa Branca pediu que o Pentágono devolvesse cópias de registros dos telefonemas, com medo de que eles fossem vazados à imprensa. A denúncia anônima de um agente de inteligência, divulgada na quinta-feira, demonstrou o cuidado dos assessores do presidente. 

A conversa entre Trump e Zelenski, segundo o delator, teria sido retirada de um sistema de computador pouco seguro para ser guardada em um sistema separado, destinado a guardar informações sensíveis e segredos de Estado – o que não era o caso do telefonema.

Na quinta-feira, após liberar a divulgação do conteúdo da conversa, Trump voltou a acusar seus colaboradores mais próximos de tramar algo contra ele. “Quero saber quem é a pessoa que deu essa informação para a fonte anônima”, reclamou o presidente. “Sabe o que se fazia nos velhos tempos com espiões e traições? Lidávamos com isso de uma maneira um pouco diferente do que fazemos hoje.”

As declarações de Trump foram criticadas por analistas de inteligência e especialistas em segurança nacional. Segundo eles, a pena para a traição de espiões era a execução. A fala do presidente, portanto, seria uma ameaça a novos delatores e testemunhas que eventualmente sejam convocadas pelos democratas no processo de impeachment.

Nesta sexta, de acordo com estimativa do New York Times, o número de deputados que apoiam o impeachment chegou a 221 – um ganho de quase 80 votos desde que o escândalo da Ucrânia foi revelado, na semana passada. Os democratas precisam de 218 votos para levar o processo para o Senado – onde a condenação é considerada improvável em razão da maioria republicana. / AP. NYT e W.POST

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