AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
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Impeachment de Trump: Procurador ucraniano diz que filho de Biden não cometeu irregularidade

Mencionado pelo presidente em telefonema a líder da Ucrânia, Yuri Lutsenko nega que Hunter Biden tenha violado leis de seu país e diz que ele não pode ser responsabilizado por violações cometidas antes de ele ser contratado por empresa ucraniana

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2019 | 13h46
Atualizado 26 de setembro de 2019 | 16h37

KIEV - O ex-procurador-geral da Ucrânia Yuri Lutsenko disse nesta quinta-feira, 26, que Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente americano Joe Biden, não violou nenhuma lei quando participou da diretoria da empresa ucraniana de gás natural Burima, quando o atual pré-candidato à presidência americana era vice de Barack Obama.

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"Da perspectiva da legislação ucraniana, ele não violou nada", afirmou Lutsenko ao jornal americano The Washington Post. Essa foi a primeira vez que ele comentou o caso desde que as democratas e republicanos passaram a trocar acusações relacionadas à Ucrânia.

Os comentários de Lutsenko sobre Hunter Biden - que ecoam o que ele disse à Bloomberg News em maio - são significativos porque Trump e seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, tentaram levantar suspeitas sobre a conduta de Hunter e do ex-vice-presidente Joe Biden na Ucrânia nas últimas semanas. 

Num telefonema ao presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, Trump disse que Biden tinha atuado para parar investigações sobre seu filho. Trump também disse que Lutsenko foi afastado de maneira injusta após investigar o caso.

A pressão de Trump sobre Zelenski para investigar Biden levou a Câmara dos Deputados dos EUA a abrir um processo de impeachment contra o presidente.

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O telefonema entre Trump e Zelenski em julho chamou a atenção de um agente de inteligência do governo que fez uma denúncia anônima conta o presidente. Segundo ele, a Casa Branca atuou para impedir que a denúncia chegasse ao Congresso.

Primeiro comentário

Desde que deixou o cargo em agosto, Lutsenko estava evitando falar com a imprensa. Suas conversas com Giuliani, no entanto, aparecem tanto nas de Giuliani sobre corrupção na Ucrânia e quanto na denúncia anônima contra Trump cujo conteúdo foi tornado público nesta quinta.

"Há muita conversa sobre o filho de Biden", disse Trump a Zelensky em um telefonema de 25 de julho, cuja transcrição foi divulgada quarta-feira.

Trump também disse a Zelenski para entrar em contato com Giuliani e o secretário de Justiça dos EUA, William Barr, e sugeriu que os investigadores americanos poderiam ajudar os ucranianos a descobrir irregularidades.

Lutsenko disse não ter conhecimento de que autoridades dos EUA foram à Ucrânia para ajudar em tais investigações enquanto ele estava no cargo. "Nenhum grupo americano veio à Ucrânia para uma investigação", disse o ex-procurador, que ficou no cargo de maio de 2016 até o final de agosto.

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Giuliani alega que Hunter Biden esteve envolvido em corrupção durante seus quase cinco anos no conselho da Burisma, a maior empresa privada de gás da Ucrânia. O defensor do presidente americano não ofereceu, no entanto, nenhuma prova para essa acusação. 

O dono de Burisma esteve sob escrutínio do antecessor de Lutsenko por possível abuso de poder e enriquecimento ilegal, mas Hunter Biden nunca foi acusado de qualquer irregularidade na investigação.

Como vice-presidente, Joe Biden pressionou a Ucrânia a demitir o antecessor de Lutsenko, Viktor Shokin, que Biden e outras autoridades ocidentais disseram que não estava combatendo casos de corrupção. 

Na época, a investigação sobre Burisma estava suspensa, de acordo com ex-autoridades ucranianas e americanas.

"Hunter Biden não pode ser responsável por violações da administração da Burisma que ocorreram dois anos antes de sua chegada", disse Lutsenko. / W.POST

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