IMPERIAL HOUSEHOLD AGENCY / AFP
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Imperador do Japão deixa o trono após 30 anos de reinado

Akihito é o primeiro líder japonês a abandonar o trono em 200 anos da monarquia mais antiga do mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2019 | 03h18

TÓQUIO - Depois de 30 anos de reinado, o imperador Akihito abdica nesta terça-feira, 30, do trono japonês, dando lugar a seu filho, o príncipe herdeiro Naruhito. A saída marca a primeira substituição em vida no Trono do Crisântemo em dois séculos, além do início de uma nova era chamada "Reiwa" (que significa "bela harmonia"). 

Em uma rara mensagem proferida três anos atrás,  Akihito expressou preocupação de que sua avançada idade possa dificultá-lo de continuar cumprindo seus deveres, e isto foi visto como um desejo de renunciar ao trono. Mas não havia uma estrutura legal para a abdicação, e além disso, a Constituição do país proíbe que o imperador tenha quaisquer influências políticas. Mas, como muitos japoneses expressaram simpatia por ele, o parlamento aprovou uma lei especificamente para permitir que ele abdicasse.

A última vez que o Japão testemunhou a abdicação de um imperador foi em 1817, quando Kokaku entregou o trono a seu filho Ninko. O Japão terá um feriado inédito de 10 dias para comemorar a ascensão do novo imperador.

O imperador Akihito chegou ao trono quando tinha 55 anos de idade, após a morte de seu pai. Foi o primeiro a assumir a posição seguindo a Constituição pós-guerra, que define o seu papel como o de "símbolo do Estado". Ele viajou por todo o Japão para visitar áreas atingidas por desastres, instalações para pessoas com deficiências e locais em memória aos mortos na guerra.

A cerimônia da abdicação de Akihito começou nesta terça-feira às 17h01 (5h01 em Brasília) em uma das salas do Palácio Imperial, no distrito de Chiyoda, em Tóquio, capital do Japão. Em suas últimas palavras no cargo, o imperador afirmou se sentir "feliz" por ter desenvolvido suas funções "com um profundo sentimento de confiança e respeito pelo povo" do Japão.

 

"Concluo hoje minhas funções como imperador", disse, no início de seu breve discurso durante o ato, celebrado hoje no Palácio Imperial diante de quase 300 participantes, incluindo representantes da família real e dos três poderes do Estado. Após agradecer pelas palavras do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que o precedeu na cerimônia, ele quis também agradecer ao povo japonês "por apoiá-lo e aceitá-lo em seu papel de símbolo do Estado".

A cerimônia de abdicaçã durou pouco mais de dez minutos. Antes de seu discurso, os camareiros apresentaram dois dos Três Tesouros Sagrados que Akihito guardou durante suas três décadas no trono e que simbolizam o poder do ofício, além dos selos imperiais usados para assinar documentos oficiais.

O ato foi concluído após Akihito deixar o local, acompanhado pelos camareiros que levavam os cofre com os Tesouros Sagrados, e seguido pela imperatriz Michiko e outros membros adultos da família imperial. De acordo com o protocolo imperial, Akihito permanecerá imperador até à meia-noite. A proclamação de seu sucessor, Naruhito, ocorrerá amanhã, a partir das 10h30 (22h30 em Brasília). / Agência Brasil e EFE

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