Imperador japonês critica passado militarista do país

O imperador Akihito do Japão declarou nesta terça-feira que seu país deve lembrar-se da dor e da destruição causadas pelo passado militarista japonês a seu próprio povo e a seus vizinhos asiáticos. Ele pediu que mais esforços sejam feitos para que isso nunca se repita.Akihito, de 72 anos, também manifestou preocupação com a falta de conhecimento do passado entre os japoneses nascidos depois da guerra e disse ter a esperança de que especialistas implementem diretrizes educacionais para que os jovens respeitem outras nações assim como respeitam a própria."É extremamente lamentável que tantas vidas, inclusive as dos japoneses, tenham sido perdidas em guerras no passado", declarou o imperador durante uma entrevista coletiva que antecede a uma viagem que ele fará ao lado da imperatriz Michiko a países do sudeste da Ásia entre os próximos dias 8 e 14."Nós não devemos nunca nos esquecer de nossa história. Devemos prosseguir em nossa jornada com apoio mútuo de cada nação para que possamos transformar o mundo em um lugar sem conflito", disse ele.As declarações de Akihito vêm à tona em um momento no qual o governo conservador do país pressiona pela aprovação de uma lei na qual os educadores sejam obrigado a "incentivar o amor à pátria e à nação e o respeito à tradição e à cultura" do Japão.Os críticos dizem que a revisão da lei estremecerá ainda mais as relações do Japão com seus vizinhos asiáticos, especialmente com a China e com a Coréia do Sul, países nos quais as agressões do exército nipônico nas primeiras décadas do século passado são lembradas com amargura até hoje.

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