Tolga Akmen / AFP
Tolga Akmen / AFP

Implicações de um Brexit suave e um rigoroso

Os defensores de uma saída suave estão dispostos a se submeter às regras e tarifas da UE, mas os da rigorosa estão dispostos a aceitar a perturbação de curto prazo e os custos de se libertarem de Bruxelas

THE ECONOMIST, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2018 | 05h00

O debate sobre os termos e condições corretos para a saída do Reino Unido da União Europeia é muitas vezes simplificado em dois conceitos conflitantes: um Brexit suave e um rigoroso. O primeiro tende a ser apoiado pelos que votaram para continuar na UE no plebiscito de 2016, o segundo por aqueles que votaram pela saída. Mas qual é a diferença real e prática? 

Um Brexit suave é geralmente usado para se referir a um que mantenha a Grã-Bretanha alinhada à UE. O objetivo é reduzir as perturbações no comércio, nas cadeias de suprimento e nos negócios em geral, que seriam criadas por questões que conflitem com regulamentos e padrões da UE, reduzindo, assim, o custo do Brexit. Na prática, um Brexit suave significa permanecer dentro do mercado único da UE (como a Noruega) e sua união aduaneira (como a Turquia). 

Os defensores de um Brexit suave estão dispostos a se submeter às regras e tarifas da UE, mesmo que o Reino Unido perca qualquer poder de decisão ao criá-los. Eles também aceitam a consequência inevitável de que será difícil de o Reino Unido fazer qualquer acordo comercial com terceiros países.

Um Brexit rigoroso rejeita toda a ideia de um alinhamento próximo. O objetivo é escapar das onerosas regulamentações e tarifas da UE, de modo a poder elaborar regras e procedimentos alfandegários da própria escolha do Reino Unido. Na prática, um Brexit rigoroso significa deixar tanto o mercado único quanto a união aduaneira. Os defensores de um Brexit rigoroso creem que ficar em qualquer um deles transformaria o Reino Unido em um “Estado vassalo” da UE. 

Eles estão dispostos a aceitar a perturbação de curto prazo e os custos potencialmente altos de se libertarem de Bruxelas, pois acreditam que os ganhos de longo prazo de uma melhor regulamentação e a conquista de acordos de livre-comércio em todo o mundo terão um papel mais do que suficiente para compensá-los.

A política declarada de Theresa May é retomar o controle de leis, fronteiras e dinheiro do Reino Unido, o que parece implicar um Brexit rigoroso. Mas nas negociações do Brexit em Bruxelas, ela concordou com uma transição durante a qual o Reino Unido continuará a ser obrigado a cumprir todas as regras da UE.

E para garantir que não haverá fronteira rígida entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda, ela também aceitou que deve haver uma solução de “recuo” que mantenha o Reino Unido em uma união alfandegária e em alinhamento regulatório com a UE por alguns anos. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

 

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