Impopular e cercado por crise, premiê do Japão renuncia

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe,anunciou repentinamente sua renúncia na quarta-feira, apósocupar o cargo por um ano, período marcado por escândalos, umaderrota eleitoral e uma crise relacionada ao apoio do país àsoperações militares dos Estados Unidos no Afeganistão. Abe, que chegou ao governo prometendo buscar maisinfluência para o país em questões globais de segurança, estavaem situação difícil desde a derrota governista nas eleições dejulho para o Senado. Mesmo assim, a renúncia foi inesperada. "Determinei hoje que devo renunciar", disse Abe,circunspeto, em entrevista a jornalistas. Fontes do governo disseram que ele está com problemas desaúde, mas Abe afirmou que um novo premiê terá mais condiçõesde resolver o impasse relativo à prorrogação da polêmica missãode apoio aos EUA no Afeganistão. Abe, que aos 52 anos foi o premiê mais jovem da históriajaponesa no pós-Guerra, reformou seu gabinete no mês passadopara tentar recuperar a aprovação popular. Uma pesquisa nestasemana, porém, mostrou que ele continuava com menos de 30 porcento de popularidade. "Há muitas coisas sobre as quais reflito", disse Abe, netode outro primeiro-ministro. "É minha responsabilidade que oantigo e o novo gabinete não tenham podido assegurar aconfiança do público." Abe ficará como interino até a convenção do Partido LiberalDemocrático, marcada preliminarmente para o dia 19. Osecretário-geral do partido, Taro Aso, que compartilha asvisões militaristas de Abe, é cotado como favorito. Outrosnomes citados são do ex-ministro de Finanças Sadakazu Tanigakie do ex-chefe-de-gabinete do governo Yasuo Fukuda. Aso e um partido coligado ao PLD criticaram o momentoescolhido por Abe para a renúncia e disseram que é importanteevitar um vácuo. Os mercados financeiros também foram apanhadosdesprevenidos. A incerteza política fez as Bolsas e o ieneterem uma queda passageira. Havia rumores -- não confirmadospor assessores dele -- de que um jornal popular publicará embreve uma reportagem acusando-o de ter sonegado impostos, o queteria precipitado a renúncia. Abe alegou que sua renúncia foi provocada pela recusa dolíder do Partido Democrático (oposição), Ichiro Ozawa, derealizar uma reunião a sós sobre a questão do Afeganistão. Ozawa negou que tenha rejeitado a reunião e disse estardisposto a se encontrar com o sucessor de Abe, mas que apostura do seu partido a respeito da questão militar não mudou. A popularidade de Abe foi abalada devido a erros dogoverno, do desvio de verbas de fundos de pensão e de uma sériede escândalos e gafes que já haviam lhe custado cincoministros, inclusive um que cometeu suicídio. Alguns analistas dizem que a renúncia não afeta a políticaeconômica, mas pode assustar os mercados. Outros lembram que osucessor terá enormes desafios pela frente, como o déficitpúblico, a reforma tributária e a retomada do crescimentoeconômico em diversas regiões.

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