Impopular, premiê japonês reformula Gabinete

As mudanças são uma tentativa de melhorar a popularidade do premiê, que está próxima dos 20%.

27 de agosto de 2007 | 10h40

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, indicou na segunda-feira nomes familiares para uma reforma ministerial com a qual pretende recuperar sua popularidade -- algo que analistas duvidam.A entrega de pastas importantes a parlamentares veteranos deve atenuar as críticas a Abe dentro do seu Partido Liberal Democrático (PLD), mas as escolhas pouco tranquilizarão os que esperam sinais de que o governo vai resolver a enorme dívida nacional e abrir a economia, segundo analistas."Há algo aqui que possa inspirar o povo, os investidores estrangeiros ou a liderança empresarial? Realmente parece que não", disse Jesper Koll, presidente da consultoria de investimentos Tantallon Research Japan. "É tocar com segurança, mas é tocar a mesma música outra vez."No cargo há um ano, Abe vê sua popularidade cair devido a escândalos e gafes no seu gabinete anterior, o que levou a uma dura derrota da coalizão de governo nas eleições do mês passado para o Senado.Kaoru Yosano, 69 anos, ex-ministro da Economia favorável à independência do Banco do Japão (Banco Central), será o chefe de gabinete do governo, um cargo importantíssimo, alimentando as especulações de que o governo não tentará impedir o Banco do Japão de aumentar os juros.O ex-ministro da Defesa Fukushiro Nukaga, 63 anos, será o ministro das Finanças. Cotado no passado para ser premiê, Nukaga já renunciou a dois ministérios no passado por envolvimento em escândalos.Um dos primeiros desafios do novo gabinete será convencer a oposição, agora majoritária no Senado, a aprovar um projeto que prorroga a missão militar de apoio naval aos EUA na guerra do Afeganistão. A tarefa caberá a Nobutaka Machimura, que volta ao cargo de chanceler, compartilhando com Abe a ambição de dar mais influência ao Japão nos assuntos mundiais.Machimura, que também já foi ministro da Educação, lidera a principal facção do PLD, e sua indicação aumenta o apoio a Abe dentro do partido.Yoichi Masuzoe, que criticou abertamente Abe por não renunciar após a derrota governista na eleição do Senado, ocupará a pasta da Saúde, Trabalho e Bem-Estar. Caberá a ele restaurar a fé da população na previdência japonesa, que está quebrando devido ao envelhecimento e encolhimento da população.O ex-chanceler Masahiko Komura, conhecido por sua habilidade e discrição políticas, vai para a pasta da Defesa, em substituição a Yuriko Koike, primeira mulher a ocupar esse cargo no país.O polêmico e conservador Taro Aso deixa a chancelaria e passa a ser secretário-geral do PLD, segundo principal cargo do partido."O importante agora para o PLD é restaurar a confiança no futuro. O que devemos fazer agora é mostrar como lidamos com a ansiedade das pessoas a respeito do futuro", afirmou ele em entrevista coletiva. Ele também defendeu ajuda a áreas rurais onde o governo cortou gastos públicos.Abe, primeiro premiê japonês nascido após a Segunda Guerra Mundial, é acusado de dar ênfase demais à sua agenda conservadora, o que inclui reformas educacionais que valorizam o patriotismo e uma revisão da Constituição pacifista. Já os eleitores estão de olho em questões mais pé-no-chão, como as pensões e a saúde pública.

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