Importante eleição pode dar autonomia à Bósnia

Os bósnios votam neste domingo na eleição mais importante desde o fim da guerra, há 11 anos. Trata-se de um pleito para novos líderes, que terão a chance de governar o país sem supervisão internacional caso as divisões étnicas sejam superadas.Desde o fim da guerra (1992 a 1995) - a mais violenta na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial -, algumas das decisões mais importantes para o país foram tomadas por um administrador internacional. Mas seu gabinete anunciou que fechará as portas no ano que vem caso os líderes recém-eleitos encontrem uma maneira de implementar reformas que levem o país para mais perto da União Européia (UE). Mas as complexas divisões étnicas que levaram o país a anos de derramamento de sangue continuam a nublar esperanças de que o país esteja pronto para seguir em frente sozinho. Agora, como durante o período pós-guerra as divisões apontam para diferentes visões sobre como deveria ser o futuro do país.Os bósnios muçulmanos, maior grupo étnico do país, geralmente apóiam a idéia de um país unido, assim como seus aliados católicos romanos. A última esperança destes grupos é que a Bósnia - atualmente dividida entre uma federação Bósnio-Croata e uma república Sérvia - possa se unir à UE quando suas incipientes reformas políticas e econômicas estiverem completas. Ainda assim, muitos sérvios continuam apoiando a posição que levou o país à guerra. Eles defendem que a sua porção do país se torne independente.O que está em jogoAs eleições de domingo definirão um novo parlamento e uma presidência formada por três membros, cada um representando um grupo étnico rival: sérvios cristãos ortodoxos, bósnios muçulmanos e cristão croatas. Os eleitores também elegerão os líderes dos dois pequenos Estados existentes dentro do país - um presidente e um parlamento para a república sérvia e um presidente e um parlamento para a federação bósnio-croata, assim como parlamentos para os 10 distritos nos quais a federação está dividida. Essa configuração política tão complexa é fruto de um compromisso alcançado em um acordo de paz que acabou com a guerra da Bósnia. Cerca de 200 mil pessoas foram mortas e um milhão de outras ficaram desabrigadas durante o conflito. Além disso, a Bósnia é um dos países mais pobres da Europa, com uma taxa de desemprego em torno de 40 por cento.Na porção bósnio-croata do país, dois candidatos disputam palmo a palmo pelo posto de membro bósnio da residência. São eles o membro do Partido da Ação Democrata Sulejman Tihic e o ex-primeiro-ministro Haris Silajdzic. Ambos defendem uma Bósnia unida, mas Silajdzic é mais radical na defesa pelo desmantelamento das divisões territoriais do país.Já entre os sérvios, os principais candidatos são o fundador do Partido Democrático Sérvio, Mladen Bosic, e o membro da União de Social-democratas independentes, Nebojsa Radmanovic - partido do atual primeiro-ministro do país Milorad Dodik. O Partido Democrático Sérvio foi fundado pelo criminoso de guerra fugitivo Radovan Karadzic.RegrasUma proibição em atividades políticas entrou em vigor às 7h (horário local) deste sábado e deve ser mantida até às 19h (horário local) de domingo, quando as urnas forem fechadas. A Bósnia tem cerca de 2,7 milhões de eleitores, que utilizarão 4.290 postos de votação para depositar as cédulas para 36 partidos, oito coalizões e 12 candidatos independentes, com um total de 7.245 candidatos em todo país. Os primeiros resultados preliminares são esperados para a meia-noite de domingo, mas provavelmente serão voltados apenas para as eleições presidenciais, enquanto os resultados preliminares para todos os cargos sairão 24 horas depois, informou a comissão eleitoral.

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