Imprensa árabe reprova relatório da ONU sobre Jenin

A imprensa árabe considerou hoje "vergonhoso" o relatório das Nações Unidas sobre a incursão israelense no campo de refugiados de Jenin e acusou o secretário-geral da entidade, Kofi Annan, de ceder às pressões norte- americanas. O relatório das Nações Unidas sobre a incursão israelense no campo de refugiados palestino de Jenin, divulgado na quinta-feira, rejeita as acusações de massacre, embora diga que as forças israelenses atrasaram a ajuda aos feridos. Para o jornal Al-Bayane, de Dubai (Emirados Árabes Unidos), o relatório "põe em pé de igualdade o carrasco (israelense) e a vítima (palestina)". "A ONU - acrescenta - devia mudar o nome para Organização das Nações Americanas, porque, em lugar de fazer prevalecer a independência, é refém da política norte-americana". Já o Gulf News, também de Dubai, disse que o relatório "encoraja Ariel Sharon (primeiro-ministro de Israel) a perpetrar novos massacres", ao mesmo tempo que incentiva os extremistas palestinos. O jornal do Qatar Al-Sharq acusou Kofi Annan de "não defender os princípios da ONU" e recomenda ao atual secretário- geral da ONU que siga "o exemplo do seu predecessor, Butros Ghali, que apresentou um relatório justo sobre o massacre de Qana", no Líbano, quando um bombardeio israelense matou 105 civis, em 1996. Para o jornal saudita ,i>Okaz, o relatório é uma "nova farsa de mau gosto de uma ONU sob administração do departamento de estado norte-americano". O Al-Bilad, também saudita, declarou que o documento "reflete mais uma vez a fraqueza da ONU perante a hegemonia norte-americana e os crimes de Israel". A missão de investigação da ONU encarregada de averiguar os acontecimentos de Jenin foi impedida pelas autoridades israelenses de entrar no local, devido a isso, teve que basear-se principalmente em testemunhos. A incursão israelense em Jenin mereceu, na ocasião, a condenação da comunidade internacional.

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