Imprensa argentina repercute eleições brasileiras

Curiosamente, faltando apenas um dia para as eleições no Brasil, o assunto que foi capa dos principais jornais argentinos durante esta semana, voltou a ocupar a primeira página apenas em um dos três maiores jornais de circulação no país, neste sábado. O La Nación estampa a foto de Lula, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre as mulheres, assistindo uma delas colocar um cravo vermelho na lapela de seu paletó. ?O segundo turno, a dúvida que Lula não esclareceu - o debate não parece ter tido um efeito decisivo?, titula o jornal, que escreve em sua capa: ?a pergunta do milhão continua sem resposta: haverá segundo turno ou amanhã Luiz inácio Lula da Silva se tornará Presidente?? O jornal afirma que o debate presidencial foi ?tão atípico e até certo ponto rígido que, quando terminou, ninguém sabia quem tinha sido o vencedor. Temerosos de se mostrar agressivos, uma característica que o eleitor brasileiro demonstrou repudiar nas pesquisas, os quatro candidatos tiveram um comportamento discreto , elegante e até conciliador?.Na página 2 do diário, mais uma vez se vê uma foto do candidato Lula. Desta vez, em um cartaz de rua ao lado de Benedita da Silva. La Nación publica também outras três matérias, além da continuidade da matéria de capa que tece comentários sobre o último debate de quinta-feira e sobre a dúvida se haverá segundo turno ou não. Em uma dessas matérias, o jornal ouve especialistas brasileiros afirmando que ?melhoraria a relação comercial com a Argentina, se Lula ganhasse?. Os entrevistados afirmam também que depois das eleições presidenciais em ambos países, o Mercosul ?deve encaminhar-se à sua consolidação?. Em outra reportagem, entitulada ?o país se moveu para a esquerda?, o La Nación entrevista o historiador Marco Aurélio Garcia, a quem o jornal concede o título de ?provável chanceler de Lula?. Garcia fala sobre o crescimento do PT e afirma que ?o Consenso de Washington fracassou?. O jornal também publica matéria sobe a ?calma nos mercados?. Já o Clarín também publica foto de Lula entre as mulheres, com um ramo de flores, e afirma que ?Lula prepara um plano político para ajudar a Argentina?. O jornal diz que ?altos dirigentes do PT disseram ao Clarín que não será ajuda financeira, mas reforçaram que será uma ação ampla e concreta, com o Mercosul como eixo?. O Clarin entrevista José Dirceu , o presidente do PT, e também Marco Aurélio Garcia. Dirceu disse que ?assim que Lula for proclamado como presidente eleito, deve viajar à Argentina". O jornal publica três páginas sobre as eleições e Lula. Em uma delas, trata das curiosidades da campanha, como o apelido Lula, ?as cirurgias plásticas das mulheres do PT, como a esposa do candidato e a prefeita de São Paulo, e até as lipoaspirações da atual primeira dama, Ruth Cardoso?.Outro grande diário da capital argentina, o Página 12, publica uma página com uma foto enorme de trabalhadores em um andaime e um balão acima com os dizeres ?Lula ? Presidente? e uma matéria de opinião, na qual afirma que o ?país-continente pode inaugurar amanhã uma nova etapa de sua história nacional e de toda América Latina se as urnas confirmarem os palpites e Luiz Inácio da Silva, Lula para todo o mundo, candidato pela quarta vez do Partido dos Trabalhadores, atravesse o umbral da Presidência do Brasil?. O autor se remete à 30 anos atrás, ?quando Salvador Allende ensaiava no Chile a via pacífica ao socialismo, a proposta de governar provocando a aliança do trabalho e do capital produtivo com certo sentido de justiça social tinha sido recebida como uma versão avançada do desenvolvimento. Em outros momentos, esta fórmula de um dirigente de origem operária e um milionário com forte influência nas igrejas evangélicas poderia ser a impressão de um populismo mais ou menos típico de prognóstico incerto. Hoje, no entanto, a opção atravessa os estereótipos por seus próprios méritos e também porque seu triunfo será a primeira impressão institucional da perda de hegemonia do neoliberalismo antagônico do PT que manipulou a região completa, também aos seus eleitores durante o último quarto de século?. Ainda no jornal Página 12, desta vez nas duas páginas centrais, vê-se uma reportagem de três colunas sobre a relação que se pode esperar com os Estados Unidos e com a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), sob o título ?Um conflito comercial vazio que vai do Alaska à Terra do Fogo?. O jornal recorda as palavras de Lula sobre o presidente dos Estados Unidos , George W. Bush: ?de cada 10 palavras que pronuncia, nove são para provocar uma guerra?, para reafirmar que ?se Lula chegar ao Palácio do Planalto, as relações entre o gigante da América do Norte e o gigante da América do Sul não serão fáceis?. A publicação também menciona o ex-presidente Juscelino Kubitschek (1955-1960), afirmando que, desde seus tempos, ?uma das marcas distintivas da política exterior do Brasil tem sido a relativa autonomia das grandes potências, especialmente de Estados Unidos. O governo de Fernando Henrique Cardoso não foi diferente neste aspecto?.Em outra matéria, o Página diz que ?os militantes são a última força?, fazendo referências ao fato de que o ?PT confia em sua força para fazer campanha atrás de campanha. O Cálculo de Luiz Inácio Lula da Silva é que entre dois e três milhões de pessoas irão para as ruas com os símbolos do PT, para aproveitar que são o único partido com simpatizantes ativos e podem influenciar nos eleitores até o último momento?. O Página também publica matéria dizendo que ?o dólar existe e não se nota?, relatando as peripécias do mercado de câmbio e as dificuldades de encontrar lugares para comprar dólares, ao contrário da Argentina.

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