Wu Hong/Efe
Wu Hong/Efe

Imprensa chinesa faz duras críticas à poluição excessiva

Medições oficiais mostram nível de poluentes quatro vezes maior que o considerado saudável, mas problema pode ser ainda maior

BBC Brasil, BBC

14 de janeiro de 2013 | 13h36

PEQUIM - Em um país onde críticas às autoridades são raras, a imprensa chinesa tem reagido duramente à poluição excessiva em cidades do norte do país. Na capital, Pequim, a poluição ultrapassou níveis considerados perigosos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Diário do Povo, veículo oficial do Partido Comunista, disse que a fumaça provocou uma onda sufocante que precisa ser urgentemente resolvida. Já o China Daily, também um veículo governamental, disse que o país precisa equilibrar desenvolvimento com qualidade de vida.

O Global Times disse que a China pode ter prejuízos ambientais de longo prazo. O debate sobre poluição também tem dominado as redes sociais do país.

No fim de semana, uma densa camada de poluentes encobriu Pequim e cerca de outras 30 cidades no norte e leste do país. Segundo o padrão da OMS (chamado PM 2.5), a concentração média de partículas de polução é de 25 microgramas por metro cúbico. Acima de 100, o nível já não é considerado saudável. Acima de 300, crianças e idosos devem permanecer em casa.

Dados oficiais apontaram que o nível de poluição no último sábado passou de 400. Detecções feitas por funcionários da Embaixada dos Estados Unidos mostraram poluição além de 800.

A inalação destas partículas aumenta o risco de infecções respiratórias, assim como o de câncer no pulmão e doenças cardíacas. Segundo a agência oficial de notícias Xinhua, houve um aumento na procura de tratamento médico por problemas respiratórios no país.

Planejamento deficiente

Nesta segunda-feira, os níveis baixaram para 350, segundo as autoridades. As escolas, no entanto, continuam fechadas.

A poluição excessiva tem sido explicada como resultado da falta de ventos e de uma onda de ar frio. O editorial do China Daily, no entanto, diz que não há razão "para não refletirmos sobre qual tem sido nossa contribuição para a nuvem de fumaça". O jornal criticou o planejamento urbano deficiente e uma alta no número de carros no país, dizendo que é preciso deixar mais o carro na garagem.

"A qualidade do ar nas grandes cidades poderia ser melhor se se prestasse mais atenção no número de arranha-céus, se mais árvores fossem plantadas à medida que crescem as áreas residencias, e se o número de carros fosse mais estritamente controlado. Essas são lições que a China deveria aprender para o futuro de sua urbanização."

A crítica também foi estampada na capa do Diário do Povo: "Vamos encarar a gestão ambiental com um senso de urgência", dizia a manchete.

O Global Times disse que as medidas já adotadas pelo governo não são suficientes para aliviar o problema, no "maior canteiro de obras do mundo". O jornal pediu ao governo que "publique dados ambientais críveis" para que a população possa ajudar a solucionar o problema.

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