Imprensa do Chile pede ações concretas após visita ao país

Jornal 'La Tercera' diz que faltaram 'planos de cooperação'; 'El Mercúrio' comemora país ter sido palco de discurso.

Marcia Carmo, BBC

22 de março de 2011 | 17h45

O presidente americano passou 21 horas no Chile

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deixou o Chile nesta terça-feira em meio a cobranças da imprensa local, que se queixou da falta de anúncios concretos durante sua visita ao país.

"Obama lança novo acordo com América Latina sem planos concretos de cooperação", publicou o jornal La Tercera em sua manchete.

O artigo fez referência ao discurso direcionado a todos os países latino-americanos que o presidente americano fez em Santiago, no qual propôs uma "aliança igualitária" com a região e ressaltou seus avanços democráticos e sociais.

Na rádio Cooperativa, comentaristas disseram que foi uma omissão "séria" o fato de Obama não ter citado todos os países da América do Sul no discurso, excluindo Venezuela, Equador e Bolívia.

Passado do Chile

Outra critica dos comentaristas foi em relação à resposta de Obama em uma coletiva, quando jornalistas lhe perguntaram se pediria "perdão" pela "participação" dos Estados Unidos no golpe de Estado de 1973 no Chile, que levou à morte do presidente Salvador Allende e à ascensão do general Augusto Pinochet ao poder.

Na ocasião, Obama respondeu que não se pode ficar "preso ao passado", mas afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a cooperar divulgando informações sobre a participação do governo americano no incidente.

"Concordo que não devemos ficar presos à história, mas também não devemos ser omissos", disse Jorge Arrate, ex-candidato a presidente.

Nesta terça-feira, o americano está em El Salvador, última parada da viagem latino-americana que começou no Brasil (em Brasília, no sábado, e no Rio de Janeiro, no domingo).

Elogios

Em seu editorial, o jornal El Mercúrio destacou a "importância para o país" de Obama ter escolhido o Chile para realizar seu discurso para a América Latina.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Alfredo Moreno, disse ter gostado do discurso "do início ao fim, e das suas referências ao Chile e suas conquistas".

A senadora Isabel Allende, filha de Salvador Allende, disse que Obama fez um "bom discurso", mas espera que o "vento não leve suas palavras".

Por outro lado, o analista político Patricio Navia disse que a visita "não cativou o público".

Apesar de alguns protestos e do público que se aproximou ao Palácio presidencial para tentar ver Obama e a família de perto, a passagem do comboio presidencial pelas ruas da cidade não gerou grande euforia dos chilenos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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