Imprensa egípcia refuta teses de ato terrorista em queda de avião russo

A imprensa no Egito reagiu agressivamente contra as teses, apoiadas pelo Reino Unido e os EUA, de que uma bomba foi a causa da queda de um avião russo na Península do Sinai na semana passada. Os meios de comunicação egípcios apontaram que o país estaria sendo alvo de uma conspiração que pretende espantar turistas e destruir a economia do país.

Estadão Conteúdo

10 de novembro de 2015 | 18h42

Estas hipóteses têm sido amplamente promovidas por formadores de opinião na mídia impressa, online e na TV, e por vezes insinuam que o Ocidente restringiu voos para o Egito para minar o país e o Presidente Abdel-Fattah el-Sissi, e não por questões de segurança como alegam. As conspirações ganharam força quando a Rússia bloqueou o tráfego aéreo para o Egito na última sexta-feira.

O acidente com a aeronave Airbus A321, que matou os 224 passageiros à bordo logo após decolar do balneário de Sharm el-Sheikh, pode impactar no lento renascimento do Egito na indústria do turismo, depois de cinco anos de turbulência, particularmente depois da Rússia e Grã-Bretanha suspenderem seus voos de turismo, exigindo melhor segurança do aeroporto.

"Até você, Putin?" foi a chamada de capa do jornal Al-Masry Al-Youm. Já a principal manchete do jornal estatal Al-Gomhuria dizia "o Egito não vai ceder a pressões".

O editor-chefe do jornal Al-Maqal e um dos comentaristas de TV mais populares do Egito, Ibrahim Eissa, escreveu que mesmo se a causa do acidente fosse uma bomba, "isto não requer punição e difamação instantânea e em larga escala contra o Egito". Outros comentaristas foram mais longe, sugerindo interesse mútuo entre a Inglaterra e o grupo extremista Estado Islâmico.

A retórica da mídia reflete, em grande parte, a relutância da imprensa em criticar o governo de El-Sissi. Desde sua eleição em 2014, a maioria dos meios de comunicação têm o apoiado como forma de trazer estabilidade ao país.

A imprensa no Egito costuma apontar para "mãos estrangeiras" em meio a crises. "Negar, em nome do Estado, que há uma crise e tentar apontar para terceiros é muito normal" no Egito, disse Hebatalla Taha, analista do International Institute for Strategic Studies. Fonte: Associated Press.

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