Imprensa enfrenta baixa audiência e altos custos na guerra

Quando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que o país encontrava-se mais próximo do início do que do fim da guerra, a imprensa, jornais, revistas e redes de televisões européias receberam uma ducha fria, pois também apostaram numa guerra relâmpago. Agora, com a perspectiva de uma guerra mais longa, todos estão revendo para cima seus orçamentos, procurando oferecer a melhor cobertura, mas sem jogar dinheiro pela janela. Isso apesar dos níveis de audiência de televisão, cujo pique foi alcançado na primeira semana, mais 6,9%, terem voltado quase ao normal. As imagens da guerra começam a se banalizar, na expectativa da grande batalha de Bagdá, onde o pique será novamente alto. O mesmo está ocorrendo com a imprensa escrita européia. Depois de ter aumentado suas vendas em 50% nos dois primeiros dias da guerra, hoje as vendas dos jornais encontraram novamente seus níveis clássicos.Franz Oliver Gisbert, chefe de redação do semanário "Le Point", lembra que uma guerra esperada não tem o mesmo impacto se comparada com um acontecimento inesperado. Por isso, seu número especial sobre a guerra contra o Iraque vendeu 110.000 exemplares em banca, apenas 20.000 a mais do que o normal, mas bem abaixo dos 160.000 de exemplares vendidos quando do atentado de 11 de setembro. A partir deste fim de semana, as emissoras de televisão estão voltando à sua programação normal, dedicando alguns noticiosos especiais à guerra, mas reduzindo o ritmo anterior na expectativa de grandes acontecimentos como o início da batalha de Bagdá, onde espera-se que a operação militar entrará em sua fase mais espetacular e sangrenta. As emissoras européias estão adaptando sua cobertura à configuração de um conflito bem mais duradouro.A principal emissora privada francesa, TF1, e sua filial LCI ( a CNN francesa ), enviaram para o golfo mais de 100 jornalistas, repórteres, técnicos e cinegrafistas, um orçamento de cobertura já estourado em 3 milhões de euros. Seu diretor Robert Nahmias defende uma extensão do orçamento junto à direção. Custos elevadosMesmo antes da guerra anunciada ser deflagrada, as redações dispensaram fortunas criando condições para seus repórteres poderem seguir a campanha militar. Os preços dos equipamentos são muito salgados. Colete para balas (2.500 euros); combinação contra armas químicas (450 euros); locação mensal de celular via satélite (250 euros) . O prêmio de seguro subiu 500 euros por semana desde o início do conflito. Segundo o diretor de TF1, cada jornalista enviado à frente do Kuwait ou de Bagdá custa 2.000 euros por dia, sem contar seus salários e os custos de transmissão. Na imprensa escrita, os preços caem para 800 e 1000 euros diários. Não se pode esquecer que os preços de guias-intérpretes árabes e motoristas de táxi aumentam a cada dia de guerra e à medida em que os norte americanos se aproximam de Bagdá. Na semana passada, uma viagem entre Kuwait City e Bagdá estava custando 1000 euros e o da diária de um intérprete subiu para 200 dólares. Baixa publicidadeO maior problema para as emissoras de televisão é que nesse tipo de cobertura, ao contrário de eventos como Copa do Mundo ou Olimpíadas, a maior parte dos anunciantes não querem associar seus produtos ao noticiário da guerra, suspendendo temporariamente suas campanhas. O que se gasta na guerra, as empresas jornalísticas economizam em outras áreas e editorias. Por exemplo, a cobertura dos eventos esportivos, sempre com grande presença de repórteres. A partida de futebol Israel ? França, normalmente feita com três jornalistas, ´terá apenas um enviado especial. Desta vez, ao contrário da Guerra do Golfo, a grande preocupação das direções das emissoras é garantir o conteúdo e a independência da informação, evitando a manipulação ocorrida do passado, onde toda a imprensa mundial foi alimentada pelos serviços de informação das forças armadas norte-americanas, cuja credibilidade foi posta em dúvida por muitos.Veja o especial :

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