Imprensa paraguaia sai contra o 'império brasileiro'

Brasil é 'recordista em roubo de Itaipu', diz jornal 'ABC Color', saudando declarações de presidente

Roberto Simon, O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2012 | 03h02

ASSUNÇÃO - Irritada com a "passividade" do governo de Federico Franco diante da suspensão paraguaia do Mercosul e da entrada da Venezuela no bloco, a imprensa de Assunção se entusiasmou na quinta-feira, 9, com o discurso duro adotado pelo presidente. "Brasil bate recorde mundial de roubo de energia em Itaipu", foi a manchete do maior jornal paraguaio, o ABC Color, saudando o ataque de Franco à venda de energia ao vizinho.

 

 

Segundo os cálculos do diário, o Brasil "despojou" o Paraguai de 800 bilhões de megawatts desde 1984. Na quarta-feira, funcionários da usina binacional no Rio Paraná celebraram a geração de 2 bilhões de megawatts em 28 anos.

O ABC Color reclamou que "nem sequer foi feita uma alusão tangencial sobre as reivindicações históricas do Paraguai" na cerimônia. Com as cifras em negrito, a matéria terminava afirmando que a luta pela "soberania hidrelétrica" paraguaia continua.

Algumas páginas antes, em um editorial intitulado "Querem que os paraguaios voltem de joelhos ao Mercosul", o jornal atacava autoridades do governo brasileiro. "As recentes declarações do assessor para Assuntos Internacionais do Império do Brasil - que, em vão, tenta se esconder atrás da fachada de uma república -, Marco Aurélio Garcia, indicando que em nosso eventual retorno ao Mercosul os paraguaios deverão se submeter às regras do bloco, põem em evidência o espírito revanchista e a indigna dominação (exercida pelo Brasil)."

Garcia foi comparado a José Maria da Silva Paranhos, o Visconde de Rio Branco, "ministro plenipotenciário de dom Pedro II (em Assunção) que tanta e tão profunda desgraça trouxe à República do Paraguai".

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