Imprensa saudita ataca mídia dos EUA

Jornais sauditas e um ministro do gabinete de governo criticaram, nesta sexta-feira, a mídia americana, acusando-a de estar realizando uma campanha contra o reino.Segundo o ministro da Defesa, príncipe Sultão, a hostilidade da imprensa americana contra a Arábia Saudita seria motivada pelo apoio de Riad à causa palestina.Vários jornais condenaram a imprensa americana em seus editoriais desta quinta-feira e de hoje, alertando que a paciência saudita "tem limite".De acordo com um editorial publicado, nesta sexta, pelo diário Al-Jazirah, que é controlado pelo Estado, o esforço saudita em levar as questões árabes e islâmicas para o Ocidente "não agrada principalmente os aliados de Israel, que vêem esse esforço como uma ameaça de expor seus planos conspiratórios".Outro jornal controlado pelo governo, o Al-Watan, questionou, nesta quinta, como a imprensa nos Estados Unidos - "país tomado por sua guerra contra o terrorismo, recessão e os mais altos níveis de assassinatos e estupros" - pode focalizar sua atenção no caso de uma princesa saudita acusada de crime na Flórida.Tal princesa foi acusada pela polícia americana na segunda-feira de agredir gravemente uma empregada filipina."Isto não pode ser explicado exceto no contexto de uma campanha americana contra a Arábia Saudita", afirmou o Al-Watan.O jornal acrescenta que residentes sauditas nos Estados Unidos continuam detidos como parte das investigações sobre os ataques terroristas de 11 de setembro contra Nova York e Washington."Esperamos que os americanos descubram o mais breve possível que paciência tem limite", conclui o editorial do Al-Watan.Na terça-feira, o príncipe Sultão disse a jornalistas que, se a Arábia Saudita mudar sua posição em relação aos palestinos, "se nos tornarmos inimigos de nós mesmos e amigos dos judeus, tal campanha cessaria em 24 horas".Sultão disse considerar as críticas da mídia americana "uma surpresa" porque os Estados Unidos e a Arábia Saudita dividem "interesses comuns importantes".A Arábia Saudita vem sendo criticada em reportagens de jornais de países ocidentais por não dar apoio suficiente à campanha antiterrorista liderada pelos EUA.

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