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Imprensa turca e autoridade americana dizem que checheno pode ser mentor do ataque 

Os três terroristas responsáveis pelo atentado foram capturados por câmeras de vigilância do aeroporto momentos antes do massacre; polícia prende 11 estrangeiros em conexão com o caso

O Estado de S. Paulo

01 Julho 2016 | 19h45

ISTAMBUL, TURQUIA - A Polícia da Turquia identificou dois dos três suicidas que atacaram o Aeroporto Ataturk, em Istambul, na terça-feira, deixando 44 mortos e 239 feridos. Os terroristas Rakim Bulgarov e Vadim Osmanov teriam passaporte russo, segundo o jornal Hürriyet. Uma fonte americana afirmou que um tenente do alto comando do Estado Islâmico – Akhmed Chatayev – teria planejado o ataque. 

Ao mesmo tempo, uma operação policial levou à prisão 11 estrangeiros suspeitos de serem membros de uma célula do Estado Islâmico em Istambul. Apesar de o grupo não ter reivindicado a autoria do ataque, as autoridades turcas disseram acreditar que ele seria o culpado. Na quinta-feira, 13 pessoas já tinham sido presas sob suspeita de ligação com o ataque. 

A identidade de Osmanov pôde ser averiguada por uma fotocópia de seu passaporte entregue quando ele assinou o contrato de aluguel da casa no bairro de Fatih, em Istambul, que serviu de local de reunião para os terroristas. Não estava claro como a polícia chegou ao passaporte de Bulgarov. 

Em um contêiner próximo da casa foi achado um computador, em parte destroçado, supostamente jogado pelos jihadistas, cujo conteúdo a Polícia tentava recuperar, segundo a agência Anadolu.

O Hürriyet informou que os dois terroristas tinham passaporte russo, apesar de, na quinta-feira, ter informado que um era cidadão do Usbequistão, outro do Quirguistão e somente o terceiro, da Rússia, especificamente da República Autônoma Daguestão.

As ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central estão entre os principais fornecedores de extremistas. Cerca de 7 mil cidadãos da Rússia e de ex-repúblicas soviéticas, incluindo as da Ásia Central, lutam no Estado Islâmico, afirmou em outubro o presidente russo, Vladimir Putin. 

Nos Estados Unidos, o deputado Michael McCaul, presidente da Comissão de Segurança Nacional da Câmara, afirmou à TV CNN que o checheno Chatayev teria planejado o ataque em Istambul. Autoridades estariam tentando determinar se ele é do alto comando do Estado Islâmico. A CIA e a Casa Branca não quiseram comentar a declaração de McCaul. 

A imprensa turca também identificou Chatayev como o mentor do atentado. Ele seria o líder do EI em Istambul e também teria organizado os ataques perto da Praça Taksim (em março) e em Sultanahmet (janeiro), no coração de Istambul, segundo o jornal Hürriyet.

Autoridades na Turquia também não confirmaram a informação. O jornal Sabah, próximo do governo, informou, por sua vez, que a Polícia teria lançado uma caçada por Chatayev. 

O paradeiro do terrorista, segundo McCaul, é desconhecido. O militante de 35 anos, que teria apenas um braço, lutou na Chechênia contra as forças russas e aliados locais no começo dos anos 200o antes de viajar para o Ocidente. Os EUA puseram seu nome na lista de suspeitos de terrorismo em 2015. Nesse ano, ele apareceu em um dos vídeos do EI como o comandante do batalhão checheno na Síria. 

Ainda que o Estado Islâmico não tenha reivindicado a autoria do ataque, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, voltou a repetir ontem que o grupo está por trás do massacre. O EI já se vangloriou de ter células na Turquia e em outros países. 

“Eles não têm nenhuma conexão com o Islã. O lugar deles é no inferno”, afirmou Erdogan ontem, após as orações tradicionais da sexta-feira. 

Na quinta-feira, 13 pessoas com possível ligação com o ataque foram detidas em três bairros de Istambul. O jornal Haber Turk afirmou que ontem mais 11 foram presas – todas estrangeiras. A informação não foi confirmada oficialmente. 

As prisões foram feitas durante uma operação na madrugada, realizadas por um esquadrão da polícia antiterrorismo no distrito de Basaksehir.

A imprensa turca informou ainda que os três suicidas planejavam tomar como reféns dezenas de viajantes dentro do terminal de Ataturk antes de detonar seus explosivos. 

Segundo o Sabah, o balanço do massacre poderia ter sido maior se os criminosos não tivessem sido interceptados na entrada do terminal por um oficial de polícia.

Imagens. Os três foram capturados por câmeras de vigilância do aeroporto. Vários meios de comunicação turcos publicaram imagens dos homens que usavam casacos escuros e, dois deles, bonés de beisebol. 

Nas imagens de segurança, é possível ver um policial à paisana pedir a um dos suicidas seus documentos e, em seguida, o mesmo agente de segurança, de joelhos, sendo ameaçado com uma arma em frente aos elevadores. 

Os três homens-bomba, que se separaram antes de se explodire em diferentes partes do aeroporto, também fizeram vítimas disparando suas metralhadoras. “Os casacos que vestiam para ocultar suas cargas explosivas, apesar do calor, chamaram a atenção de civis e de um oficial de polícia”, indicou o Sabah. / REUTERS, EFE, AP e AFP

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