Imprensa vira alvo de queixas durante a Celac

A cláusula democrática assinada pelos presidentes na primeira reunião da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) não bastou para conter as queixas de alguns presidentes contra a imprensa, na noite de sexta-feira, durante a plenária. Rafael Corrêa, do Equador, começou a onda de reclamações, seguida por Hugo Chávez, da Venezuela, e Porfírio Dias, de Honduras.

LISANDRA PARAGUASSU, ENVIADA ESPECIAL, Agência Estado

03 de dezembro de 2011 | 13h58

Correa mostrou dois vídeos, um em que um jornalista equatoriano o chamava de déspota, hipócrita e farsante, e outro em que mostrava ligações de empresas de mídia de seu país com bancos e com negócios estatais. "Dizem-nos que questionar os negócios dedicados a comunicação é atentar contra a liberdade de expressão. Isso é tão absurdo como dizer que criticar um presidente é questionar a democracia", afirmou.

O presidente equatoriano, que vive em conflito permanente com a mídia de seu país, disse a seus colegas que a CELAC deveria fazer algo. "É hora de fazer algo. Pelo menos no Equador seguiremos enfrentando esse ilegítimo e corrompido poder", disse.

Hugo Chávez, que coordenava a plenária como país anfitrião, aproveitou a deixa. Antes de passar a palavra ao próximo presidente, também aproveitou para reclamar de quem reclama dele. "Dizem que eu não tento controlar a imprensa, que não há liberdade na Venezuela. Basta olhar os jornais, que me atacam o tempo todo, que comemoraram minha doença", disse.

Em seguida, o presidente de Honduras, Porfírio Lobo, também acrescentou suas reclamações. Disse que é atacado por interesses econômicos. "Muitas vezes os que possuem os meios de comunicação têm investimentos em outra áreas. Tiramos uma taxa de segurança e a reação foi tremenda. Eu também estou sofrendo, presidente Rafael. Você toca um setor econômico e eles se sentem atingidos", afirmou.

A cláusula democrática da CELAC deixou de fora temas como liberdade de expressão, eleições livres e separação entre poderes. Concentrou-se apenas na condenação aos golpes de Estado.

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