INB: País ainda é incapaz de enriquecer urânio para Irã

O presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Alfredo Tranjan Filho, afirmou ontem que "não existe a menor possibilidade de um convênio internacional para a gente enriquecer nada de ninguém". A declaração foi uma resposta aos "rumores" sobre a eventual participação do País na produção de combustível nuclear para o Irã. Segundo ele, a produção da INB ainda não é capaz de atender à demanda brasileira.

AE, Agencia Estado

04 de fevereiro de 2010 | 08h27

Ontem, o diretor da agência iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, incluiu o Brasil entre os países que o governo do Irã aceitaria enviar urânio para ser enriquecido a 20% e, com isso, evitar suspeita sobre seu possível uso militar, conforme proposta feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU.

Salehi disse que a preferência para enriquecer o urânio iraniano seria por um país da Ásia (possivelmente o Japão), mas citou a França e o Brasil como opções. "Estamos negociando com esses países", disse Salehi à agência oficial Ilna.

O presidente da INB havia acompanhado a notícia e afirmou que não foi consultado sobre o assunto. "Se vai se falar alguma coisa de enriquecimento (de urânio) no Brasil, vai ter de ser feito por meio da INB, que é a responsável por isso. Não houve nenhuma consulta, absolutamente nada."

Ele lembrou que a produção da INB não consegue atender à demanda brasileira. "Não é o Irã, não há a menor condição de produzir para ninguém", ressaltou. "Estamos perseguindo nossa meta que é a de sermos autossuficientes para atender as usinas Angra 1, 2 e 3. Vamos conseguir chegar a esse estágio em torno de 2015, e aí virão as novas usinas nucleares. Trabalhamos para atender à demanda nacional."

Surpresa

A afirmação do diretor da agência iraniana de energia atômica causou surpresa em Brasília. "Em nenhuma das conversas mantidas pelo governo brasileiro com o Irã foi tratada a possibilidade de enriquecimento do minério iraniano no País", afirmou o chanceler Celso Amorim, por meio de sua assessoria de imprensa.

As declarações do chefe do programa nuclear iraniano ocorreram um dia depois de o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, admitir pela primeira vez a possibilidade de enviar urânio com baixo nível de enriquecimento (a 3,5%) para ser enriquecido a 20% em outro país - uma das exigências da AIEA para aceitar o programa nuclear iraniano, que Teerã afirma ter fins civis.

Ceticismo

Porém, o anúncio de Ahmadinejad foi recebido com ceticismo pelo sexteto - o grupo dos cinco países integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas mais a Alemanha. O motivo é a constante mudança de posições do regime de Teerã.

Inicialmente, em outubro, o país havia concordado com os termos da proposta do sexteto, feita em setembro, no que chegou a ser descrito como a primeira vitória diplomática do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Mais tarde, em janeiro, os iranianos voltaram atrás. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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