Incêndio ameaça sobrevivência do governo grego

A menos de 3 semanas das eleições, fracasso em combater chamas reduz vantagem sobre oposição para apenas 1 ponto

NYT, AP e Reuters, Atenas, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2029 | 00h00

Os incêndios que assolam a Grécia desde sexta-feira atingiram em cheio o governo do primeiro-ministro Kostas Karamanlis, que chegará enfraquecido às eleições gerais do dia 16. O premiê recebeu ontem duras críticas a respeito da demora no combate ao fogo e também por ter disseminado o pavor na população ao atribuir a ação a supostos terroristas. Uma pesquisa divulgada ontem mostrou que a diferença entre o partido governista Nova Democracia, de Karamanlis, e o partido socialista Pasok, de George Papandreou, diminuiu para 1 ponto porcentual.A oposição tem usado a tragédia, a revolta da população e a fúria da imprensa para ganhar votos. "Infelizmente, o governo mostrou-se incompetente", disse Papandreou. Graças aos ventos fracos pelo terceiro dia seguido e à ajuda de bombeiros de outros países, o governo grego anunciou um progresso no combate ao fogo, especialmente na Península do Peloponeso e na Ilha de Evia, ao norte de Atenas. Apenas uma pessoa morreu ontem por causa dos incêndios, elevando para 64 o número de mortos desde sexta-feira em razão das chamas - que já consumiram 2 mil quilômetros quadrados de floresta.Muitos dos que conseguiram se salvar, contaram o drama pelo qual passaram ao escapar da morte. No vilarejo de Makistos, o agricultor George Dimopoulos foi surpreendido com a chegada do fogo. Sem água, ele recorreu aos 300 litros de vinho produzidos por ele. Rapidamente, ele derramou o vinho, litro por litro no irrigador e salvou sua casa. "Não havia mais nada a fazer", disse. Outros não tiveram a mesma sorte. Só na região de Makistos foram cerca de 30 mortos. No vilarejo de Artemida, vários aldeões tentaram escapar de carro, mas nove morreram num engavetamento causado pela fumaça na estrada. O calor derreteu todos os veículos. Os que conseguiram sobreviver, fugiram a pé para a encosta de um morro.Perto dali, equipes de resgate encontraram pelo menos 23 cadáveres num olival consumido pelas chamas. Entre eles havia quatro crianças envolvidas pelo corpo da mãe."Vi as chamas a 150 metros de nós. Eu e minha mulher entramos no carro, andamos uns dez metros e o fogo nos alcançou. Tivemos de abandonar o carro e nos arrastar pela floresta por uns 400 metros para não morrer", contou Panagiotis Lambropoulos, um dos sobreviventes.

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