Alberta/AFP
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Incêndio duplica e deve durar meses no Canadá

Fogo se alastra por mais de 200 mil hectares e desanima bombeiros da região de Alberta; cerca de 100 mil pessoas são retiradas da área

AFP

08 Maio 2016 | 20h43

FORT MCMURRAY, CANADÁ - Um violento incêndio florestal que tem causado estragos no Canadá duplicou de tamanho no sábado e, diante da situação, as autoridades advertiram ontem que as condições na área betuminosa da província de Alberta eram “imprevisíveis e perigosas”. O fogo já havia se alastrado por mais de 200 mil hectares até a noite de sábado e continuava crescendo ontem nas florestas da região de Fort McMurray, informou a Agência de Manejo de Emergências de Alberta. 

Cansados e abatidos após dias de um combate infrutífero contra o que eles chamam de “a besta”, os bombeiros admitem que esses gigantescos incêndios florestais devem continuar nos próximos meses.

“A menos que haja uma precipitação de 100 mm (de chuva), esperamos lutar contra o fogo em áreas florestais durante os próximos meses, o que não é incomum dada a magnitude dos incêndios”, admitiu Chad Morrison, diretor do serviço de combate a incêndios de Alberta. O avanço do fogo é tão intenso que ele pode chegar à fronteira com a província de Saskatchewan, a cerca de 60 quilômetros de Fort McMurray.

Cerca de 2.000 km² de florestas e bairros inteiros da cidade foram queimados na noite de sábado – uma área equivalente a três quartos de Luxemburgo.

Diante dos incêndios fora de controle, os 500 bombeiros mobilizados se concentram principalmente em preservar as estruturas vitais (telecomunicações, eletricidade, gás, água etc.).

Por sua vez, os serviços de emergência e da polícia protegem a cidade. Serão necessários vários dias para limpar os escombros e reabilitar a infraestrutura antes do retorno de habitantes ao centro e a outros bairros residenciais esvaziados. 

“O gás foi cortado, a rede elétrica danificada e grande parte da cidade não tem eletricidade neste momento, enquanto a água não é potável”, disse na noite de sábado a chefe do governo de Alberta, Rachel Notley. “Há uma grande quantidade de produtos ou materiais perigosos que devem ser retirados e outras coisas a fazer antes que a cidade volte a ser segura.”

O governo tem se mobilizado para apoiar os habitantes de Fort McMurray, embora a maioria das 100 mil pessoas removidas da área tenha encontrado abrigo com amigos ou parentes. Dezenas de milhares de pessoas permanecem espalhadas em Alberta em abrigos de emergência ou em enormes caravanas nas estradas. Faltam alimentos, roupas e produtos de higiene, como fraldas.

Em Lac La Biche, primeira grande aldeia ao sul da zona interditada, água mineral, roupas e alimentos doados por cidadãos de outras regioes do país e pela Cruz Vermelha são distribuídos por voluntários.

“É incrível ver tudo o que tem sido feito, porque muitos estão em necessidade, não têm nada”, disse Sarah, uma mãe que foi retirada de casa com a família. “Como eu disse à minha filha no caminho para cá, o importante é estar vivo.”

Nos últimos dois dias, muitos desabrigados deixaram Fort McMurray em comboios sob escolta da polícia. Rachel Notley afirmou que muitas dessas pessoas poderiam ser realocadas nos próximos meses em residências universitárias em Edmonton ou Calgary. / AFP

 

 

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