Ismail Ferdous / AP
Ismail Ferdous / AP

Incêndio em confecção mata 8 pessoas em Bangladesh

Ao contrário de desastre no Rana PLaza, fábrica parece atender às normas de construção

Agência Estado

09 de maio de 2013 | 15h01

DACA - Um incêndio numa confecção em Bangladesh matou oito pessoas - dentre elas um graduado oficial da polícia, um político e um dirigente da indústria do vestuário - duas semanas após o desabamento de um prédio, onde o número de mortos chegou a 950 nesta quinta-feira, 9.

Ao contrário do desastre no Rana Plaza, que parece ter acontecido por causa de problemas de construção e do não cumprimento das regras de segurança, a fábrica da Tung Hai Sweater parece atender às normas de construção.

O diretor-adjunto dos Bombeiros disse que as mortes ocorridas na noite de quarta-feira foram causadas pelo pânico e pelo azar. "Eles foram realmente infelizes", declarou Mamun Mahmud.

O fogo se espalhou pelos pisos mais baixos do edifício de 11 andares ocupado pela fábrica. Os produtos feitos de acrílico produziram grandes quantidades de fumaça e gases tóxicos que fizeram com que as vítimas sufocassem ao descer pelas escadas, disse Mahmud.

O edifício tinha duas escadarias na parte da frente e uma saída de emergência atrás. Segundo ele, as pessoas que estavam dentro do prédio provavelmente entraram em pânico quando viram a fumaça e correram para as escadarias frontais mas, se tivessem usado a escada de emergência, teriam sobrevivido.

"Aparentemente, elas tentaram fugir do prédio por meio das escadas por medo de que o fogo tomasse todo o prédio", disse Mahmud. Elas também teriam sobrevivido se tivessem permanecido nos andares mais altos, afirmou ele.

O incêndio aconteceu apenas duas semanas após o desmoronamento do Rana Plaza, de oito andares, onde estavam instaladas cinco confecções. O desastre atraiu mais uma vez a atenção para as condições de trabalho na indústria de vestuário de Bangladesh, que fornece roupas para importantes varejistas de todo o mundo.

As identidades das vítimas do incêndio de quarta-feira mostram as relações entre a indústria e os políticos do país. Dentre os mortos está o diretor-gerente da fábrica, Mahbubur Rahman, que também fazia parte da diretoria da poderosa Associação de Fabricantes e Exportadores de Vestuário de Bangladesh, além de do graduado policial Z.A. Morshed e Sohel Mostafa Swapan, presidente do escritório local da juventude do partido governista.

Segundo a Independent TV, um canal local, Rahman pretendia se candidatar a uma cadeira no Parlamento nas eleições do ano que vem e reunia-se com amigos para discutir seu futuro quando o incêndio teve início.

As causas do incêndio ainda são desconhecidas. O fogo teve início logo depois de os funcionários terem encerrado o expediente e os bombeiros precisaram de três horas para controlar as chamas. Mahmud acredita que o incêndio tenha começado na sessão onde as roupas são passadas. / AP

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