Incêndio em hospital de luxo mata 94 pacientes na Índia

Médicos fugiram e deixaram doentes para trás; bombeiros levaram quase 12 horas para controlar o fogo

NOVA DÉLHI , O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h05

Um incêndio em um hospital particular de luxo em Calcutá, na Índia, deixou ao menos 94 mortos. O fogo, que começou no início da manhã no subsolo do prédio, destruiu o Advanced Medical Research Institute, uma clínica de 180 leitos inaugurada em 1996.

Testemunhas e pacientes disseram que os médicos de plantão fugiram, deixando os pacientes presos nas respectivas alas, vítimas da fumaça negra que tomou conta de tudo.

Mal equipados, os bombeiros tiveram dificuldades para resgatar as vítimas. Seis membros da direção do hospital foram acusados de homicídio culposo (sem intenção de matar), informaram autoridades.

O ministro do Desenvolvimento Urbano do Estado de Bengala Ocidental, Firhad Hakim, chegou ao local da tragédia às 5 horas e encontrou dezenas de bombeiros parados em volta, impossibilitados de entrar no prédio. "A fumaça era tão densa e negra que não se podia entrar ", disse Hakim.

O hospital armazenava diesel e óleo lubrificante no subsolo. A fumaça, negra como piche, subiu até os andares superiores pelos dutos dos elevadores. Os pacientes, muitos deles presos ao leito, não tiveram como escapar. As janelas de vidro puderam ser abertas.

Quando os bombeiros finalmente conseguiram quebrar o vidro reforçado da fachada do prédio e fazer com que a fumaça saísse parcialmente o incêndio já durava quase três horas. "A maior parte das pessoas que eles conseguiram carregar para fora estava morta ", disse Hakim.

Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, A. Banerjee, todas as mortes foram provocadas por asfixia. "Os dispositivos de combate ao fogo não estavam funcionando direito os funcionários do hospital não estavam treinados para lidar com essas situações", disse

A inépcia, o equipamento inadequado e a falta de informações contribuíram para aumentar a gravidade da tragédia. Cinco caminhões de bombeiros demoraram a chegar, segundo os diretores, e quem tentava entrar no edifício para ajudar a retirar os pacientes disse que foi obrigado a recuar pela segurança do hospital. A direção garantia que se tratava apenas de um pequeno incêndio na cozinha da clínica. Os bombeiros levaram mais de 12 horas para controlar totalmente o fogo. / NYT

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