RODRIGO ARANGUA / AFP
RODRIGO ARANGUA / AFP

Incêndio em universidade marca fim de terceira semana de ira social no Chile

Em mais um capítulo de uma revolta social sem precedentes, a enorme passeata - a princípio pacífica - degenerou em violência e a sede da Universidade Pedro de Valdivia foi incendiada

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2019 | 22h38

SANTIAGO - Milhares de manifestantes participaram nesta sexta-feira, 8, de outra gigantesca  passeata no Chile, que terminou na Praça Itália de Santiago, em meio a saques e ao incêndio da sede de uma universidade, ao final da terceira semana de protestos no país. 

Em mais um capítulo de uma revolta social sem precedentes, a enorme passeata - a princípio pacífica - degenerou em violência e a sede da Universidade Pedro de Valdivia foi incendiada.

O incêndio no prédio, construído em 1915, começou quando manifestantes encapuzados enfrentavam a polícia de choque e atearam fogo a barricadas em torno do local.

Os manifestantes haviam rebatizado a Praça Itália com uma enorme bandeira com a inscrição: "Praça da Dignidade".

Ao cair da tarde, uma maré humana inundou - pelo terceiro dia seguido - as duas calçadas da Avenida Alameda em direção à Praça Itália, carregando bandeiras chilenas, apitos e máscaras de distintos personagens, além de cartazes contra o governo do presidente Sebastián Piñera

Ao passar diante do palácio presidencial, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o Piñera e insultaram os policiais que protegiam o La Moneda.

"Vim para derrubar os mitos de que esses são protestos violentos", disse à France-Presse Cristian, estudante de 27 anos que atendeu ao chamado feito pelas redes sociais após a última mensagem do presidente, que anunciou novas medidas de segurança para garantir a ordem pública.

"A última mensagem de Piñera foi uma aberta provocação, não entende nada".

O presidente endureceu sua posição sobre a ordem pública após os protestos se alastrarem aos bairros mais exclusivos de Santiago, e não fez qualquer anúncio para atender às demandas dos manifestantes, especialmente sobre educação e saúde.

"São muitos anos de abuso", disse Raúl Torres, aposentado de 65 anos que após 43 anos de trabalho recebe uma pensão de 130 mil pesos (US$ 175), suficiente apenas para sobreviver. "É uma alegria ver essa juventude que se levanta. Como não percebemos antes que estávamos sendo condenados à pobreza?!"

Protestos se espalham por Santiago

Centenas de manifestantes chegaram ao Bairro de Providencia, uma área nobre de Santiago, e protestaram nos arredores do Costanera Center, um prédio símbolo da prosperidade do Chile, cercado pela polícia.

Os manifestantes bloquearam a Avenida Tobalaba, que separa Providencia do Bairro de Las Condes, onde armaram barricadas a atearam fogo aos gritos contra a polícia e Piñera.

Outro grupo de manifestantes se aventurou no interior de Las Condes, onde policiais fizeram um bloqueio na Avenida Apoquindo, principal artéria da região.

Durante a tarde, dezenas de moradores de Las Condes ocuparam as ruas vestidos com coletes amarelos dispostos a enfrentar os manifestantes. 

Em Viña del Mar também ocorreram confrontos violentos entre manifestantes e policiais, e barricadas foram levantadas no centro da cidade.

Aumento da tarifa do metrô desatou ira

Desde 18 de outubro, quando o aumento na tarifa do metrô desatou a ira nas ruas de Santiago, os chilenos protestam contra as desigualdades em um país com uma economia próspera, mas com um Estado ausente ou mínimo na educação, na saúde e na aposentadoria. 

O resultado de três semanas de manifestações diárias é de 20 mortos e mais de mil feridos. Os distúrbios afetam ainda uma das economias mais estáveis da América Latina. /AFP 

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