Aliosha Marquez/AP
Aliosha Marquez/AP

Incêndio mata 81 em prisão no Chile

Parentes agrediram autoridades; fogo teria sido causado após briga entre grupos rivais

, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

Um incêndio em uma penitenciária superlotada na capital do Chile, Santiago, matou ontem ao menos 81 presos e deixou outras 21 pessoas feridas. É a maior tragédia registrada no sistema prisional chileno. O incêndio teria começado após uma briga entre grupos rivais que incendiaram colchões. O fogo teria se espalhado rapidamente, agravando o problema.

A prisão de San Miguel, no sul da cidade, tem capacidade para 700 detentos, mas, no momento do incêndio, estaria com 1,9 mil. O fogo começou por volta das 4 horas da madrugada (5 horas de Brasília) na torre 5 da prisão. O primeiro chamado para o corpo de bombeiros foi feito 20 minutos depois. Cinco dos feridos estão em estado grave, respirando com auxílio de aparelhos. Outros sete tiveram problemas menores de asfixia.

Centenas de parentes dos presos se aglomeraram nos arredores da penitenciária em busca de informações, enquanto a polícia tentava controlar a situação. Desesperados, gritavam e imploravam à polícia que lhes deixassem entrar para resgatar os detentos. Alguns gritavam o nome dos presos diante do prédio em chamas.

Parentes dos detentos mortos agrediram as autoridades encarregadas de divulgar a lista de vítimas. Eles lançaram garrafas e pedras nos funcionários perto da prisão, segundo relato feito por testemunhas a meios de comunicação chilenos.

Os presos sobreviventes foram mantidos em uma quadra de esportes dentro da prisão. De acordo com o jornal chileno La Tercera, os carcereiros teriam impedido inicialmente a entrada dos bombeiros na prisão.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, admitiu que a situação carcerária do país é precária. "Não podemos viver com um sistema penitenciário que é absolutamente desumano, um atentado à qualidade de vida e à dignidade do país", disse Piñera diante de um dos hospitais para onde foram transferidos os feridos. O presidente não descartou que o número de mortos aumente nas próximas horas.

Segundo Piñera, o país tem 108 mil presos. "O nível de superlotação em nossas prisões supera os 70%. Em algumas, como é o caso de San Miguel, ultrapassa os 90%. Na penitenciária em que estive com o ministro da Justiça (Felipe Bulnes), a superlotação é de mais de 200%", reconheceu. De acordo com a Fundação Paz e Cidadania, a penitenciária mais superlotada é a de Santiago Sur, com 6,237 presos e capacidade para 2,446.

O presidente afirmou que o governo iniciou, em outubro, um plano para a construção de outras três prisões: em Antofagasta, Concepción e Talca. O incêndio é a terceira grande tragédia do Chile em 2010 - depois do terremoto de 27 de fevereiro e do acidente da Mina San José, quando 33 mineiros ficaram presos e foram resgatados após dois meses. / AP, REUTERS E AFP

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