REUTERS/Rafael Marchante
REUTERS/Rafael Marchante

Incêndio matou um terço dos moradores de aldeia portuguesa

Onze dos 30 habitantes foram vítimas das chamas que devastaram a região; muitos morreram noscarros durante a fuga

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2017 | 19h39

NODEIRINHO, PORTUGAL - O incêndio que devastou várias cidades na região central de Portugal matou um terço dos moradores da pequena aldeia de Nodeirinho, na região de Pedrogão Grande. Ao menos 11 dos 30 habitantes foram mortos pelas chamas que consumiram a floresta que cerca a aldeia, além dos cultivos de oliveiras.

Na segunda-feira, os sobreviventes se reuniram para avaliar os danos, sem encontrar palavras para descrever a tragédia. “Você sobrevive a um tornado de fogo, algo terrível. Então, depois, descobre que seus parentes e amigos morreram dentro de seus carros ou em suas casas”, disse a professora Silvia Céu. “Não há palavras para explicar o que sinto.”

Susana da Costa, uma faxineira que mora em Luxemburgo, normalmente retorna a Nodeirinho para passar as férias com a família. Na manhã de segunda-feira, ela retornou não para descansar, mas para ver como estava sua casa, mas não teve coragem de ver se ela estava mesmo em ruínas. A avó de seu marido foi uma das vítimas da aldeia. “Um dia você tem tudo o que ama aqui. No outro, não encontra mais nada do que deixou”, disse Susana, enxugando as lágrimas.

Os pais de Rodrigo, um menino de 4 anos, estavam viajando em lua de mel e o tinham deixado na casa dos tios. Em pânico, ao saber do incêndio em Nodeirinho, a mãe fez um apelo nas redes sociais por informações sobre o menino. 

A avó viajou de Lisboa até a aldeia para tentar encontrá-lo, mas foi em vão. Os corpos de Rodrigo e do tio foram encontrados em um automóvel calcinado, atingido pelas chamas durante a fuga desesperada.

Ao ver que as chamas avançavam rapidamente, António Dios dos Santos fez um esforço desesperado para tentar salvar sua mula, Carissa. Ele atravessou o pasto correndo até seu celeiro, mas não conseguiu abrir as portas, pois ele já estava envolto em chamas. “Nós, é claro, sentimos muito pelas pessoas que morreram, mas ela era realmente minha companheira”, lamentou.

A família Ferreira sobreviveu refugiando-se em um pequeno reservatório de água a poucos metros de sua casa. “Sabia que se ficássemos na água estaríamos em segurança”, disse Maria do Céu, que é engenheira florestal. “Tentamos convencer nossos vizinhos a ficar, lhes imploramos. Mas, mesmo assim, eles decidiram partir em um automóvel por uma estrada onde várias pessoas foram de encontro à morte.” / AFP e NYT

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