EFE/EPA/WAEL HAMZEH
EFE/EPA/WAEL HAMZEH

Incêndio no porto de Beirute destruiu estoques da Cruz Vermelha

Entidade confirmou que chamas destruíram armazém, o que deve prejudicar missões no Líbano e na Síria; fogo foi controlado pelos bombeiros nesta sexta, 11

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2020 | 09h35

BEIRUTE - Os bombeiros libaneses conseguiram extinguir nesta sexta-feira, 11, as últimas chamas do grande incêndio registrado no porto de Beirute na quinta, 10. O incêndio destruiu um estoque considerável de ajuda humanitária e provocou o retorno do trauma da explosão de agosto.

Em meio a depósitos destruídos pela gigantesca explosão de 4 de agosto, mas ainda repletos de mercadorias, os bombeiros trabalhavam para impedir o reinício das chamas, em um cenário tomado pela fumaça.

Autoridades confirmaram que o incêndio começou na quinta-feira em um armazém do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que estocava comida e outros materiais de ajuda internacional, incluindo milhares de pacotes de alimentos e meio milhão de litros de óleo, de acordo com um comunicado da organização.

"Nossas operações humanitárias podem ser muito afetadas", afirmou a Cruz Vermelha, em referência à ajuda reservada ao Líbano e à vizinha Síria.

A Defesa Civil libanesa afirmou em um comunicado divulgado nesta sexta-feira que as chamas foram controladas e citou uma operação de "resfriamento para evitar o reinício do incêndio".

De acordo com informações preliminares do governo, trabalhadores estavam utilizando uma serra elétrica e as faíscas provocaram o início do incêndio. O incidente recordou os libaneses do dia 4 de agosto, quando aconteceu uma gigantesca explosão no porto, provocada por um incêndio em um depósito que armazenava nitrato de amônio.

A tragédia deixou pelo menos 190 mortos e mais de 6.500 feridos e devastou partes importantes da capital de um país já muito afetado por uma grave crise econômica e política.

A explosão aumentou a indignação da população, que sofre com o desemprego e a desvalorização da moeda, e já denunciava a incompetência e a corrupção dos políticos.

Desde 4 de agosto a ajuda à população afetada foi organizada em grande parte pela sociedade civil, por ONGs e voluntários, enquanto as autoridades eram criticadas pela falta de mobilização diante da tragédia.

Antoine Assaad, morador do bairro de Mar Mikhael próximo ao porto e devastado pela explosão, continua atormentado pela falta de medidas de segurança e relata cenas de caos na quinta-feira.

"O que aconteceu ontem foi uma repetição de 4 de agosto" afirma. "As pessoas viveram o terror e fugiram como conseguiram",  completa.

A enorme explosão de 4 de agosto foi provocada por uma grande quantidade de nitrato de amônio armazenado há seis anos, sem medidas de segurança, admitiram as autoridades.

O depósito tinha quase 2.750 toneladas do fertilizante químico, também utilizado como componente de explosivos.

"O incêndio (de quinta-feira) não pode ser justificado em nenhum caso", afirmou no Twitter o primeiro-ministro libanês designado Mustapha Adib, que tenta formar um novo governo.

O Executivo anterior renunciou após a explosão.

Adib pediu aos responsáveis que "prestem contas para impedir que voltem ocorrer eventos tão dolorosos"./ AFP

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