Noah Berger / AP
Noah Berger / AP

Linha de alta tensão elétrica causou pior incêndio da história da Califórnia, diz investigação

Chamas mataram 85 pessoas e consumiram uma cidade de 26 mil habitantes em novembro; instalações são da PG&E, maior empresa elétrica do oeste dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 03h05
Atualizado 16 de maio de 2019 | 06h52

LOS ANGELES, EUA - Uma linha de alta tensão elétrica operada pela empresa Pacific Gas and Electric (PG&E) provocou o incêndio mais mortífero da história da Califórnia, que matou 85 pessoas e consumiu uma cidade de 26 mil habitantes em novembro, informaram autoridades locais na quarta-feira, 15.

O Departamento Florestal e de Proteção contra Incêndios do Estado, Cal Fire, revelou os resultados de uma investigação que durou meses e que responsabiliza a fiação elétrica pela origem das chamas. A PG&E, maior empresa elétrica do oeste dos Estados Unidos, já havia admitido em fevereiro que suas instalações eram a causa "provável" do fogo.

O incêndio, que ficou conhecido como Camp Fire, arrasou 62.053 hectares e destruiu mais de 18 mil edifícios.

O relatório do Cal Fire determinou que as faíscas de um cabo partido em uma linha de alta tensão, próximo à cidade de Pulga, deram origem às primeiras chamas. Ainda de acordo com a investigação, o fogo teria se expandido a "ritmo extremo" graças à vegetação seca, às altas temperaturas e ao forte vento do dia.

O fogo desceu pela encosta da Sierra Nevada e alcançou - em questão de minutos - as cidades de Magalia, Paradise (a maior delas e onde causou o maior número de mortos) e Concow. Nos arredores desta última, o vento impulsionou a vegetação contra outra instalação elétrica e provocou um segundo incêndio, que foi "engolido" pelo primeiro e contribuiu ainda mais para sua rápida expansão.

As especulações sobre a possível responsabilidade da PG&E no incêndio começaram logo nos primeiros dias após a tragédia, quando a empresa informou às autoridades que um pequeno avião havia identificado, minutos antes do início das chamas, uma "anomalia" na linha de transmissão perto de Pulga.

A PG&E, que oferece serviço de gás e eletricidade a 16 milhões de moradores da Califórnia, se declarou em falência no dia 29 de janeiro diante da impossibilidade de fazer frente às enormes quantias de dinheiro exigidas pelas pessoas prejudicadas pelo incêndio.

No fim de fevereiro, a PG&E já havia sido alvo de vários processos por suposta responsabilidade pelo incêndio, cuja quantia supera, no total, US$ 10 bilhões. Além disso, a empresa prevê que, com a chegada de novas ações e a adição de outras referentes a incêndios registrados em 2017, a soma total de compensações pode chegar a US$ 30 bilhões. / EFE

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