Jodie Bradby Canberra Australia via Reuters
Jodie Bradby Canberra Australia via Reuters

Incêndios na Austrália deixam ao menos 18 mortos e cinco desaparecidos

Ecologistas já preveem morte de quase 500 milhões de animais incinerados; nova onda de calor é prevista para o próximo sábado

Redação, O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2020 | 02h04
Atualizado 02 de janeiro de 2020 | 14h38

PERTH - A Austrália enviou navios e aeronaves militares na última quarta-feira, 01, para ajudar comunidades devastadas pelos incêndios que deixaram ao menos 18 mortos em todo o país, oito apenas nas últimas 48 horas. Equipes de segurança também estão mobilizadas para o resgate de pessoas cercadas pelas chamas em praias e pontos turísticos da costa sudeste do país, onde milhares de pessoas devem ser evacuadas nos próximos dois dias, antes da nova onda de calor prevista para o próximo sábado e que pode provocar o avanço dos fogos no país.

 

Pela tarde de quarta, já era possível ver navios da Marinha e aeronaves militares levando água, comida e combustível para as cidades onde os suprimentos estavam esgotados, e cujas estradas foram bloqueadas pelas crescentes chamas. Ao todo, 18 pessoas já morreram devido aos incêndios que se iniciaram em setembro. Outras cinco continuam desaparecidas e mais de 400 casas já foram destruídas.  Dentre as autoridades, há ainda um grande temor de que os militares levem dias para chegar a áreas muito isoladas, o que pode aumentar o número de vítimas fatais.

O estado de Nova Gales do Sul, na costa da Austrália, tem sido o palco dos principais acontecimentos. Na quarta, mais três corpos foram encontrados na cidade de Lake Conjola. Autoridades estimam que ao menos 175 casas já foram destruídas na região. Equipes de segurança trabalham com uma estimativa de 100 focos de incêndios incontroláveis por todo o estado.

"Nosso maior medo tem sido as crianças, pois se precisarmos entrar na água para nos defender, como iremos fazê-lo, se elas tem apenas 1, 3 ou 5 anos de idade?", disse o turista Kai Kirschbaum à ABC. "Se você é bom nadador, não importa se precisar ficar na água por mais tempo, mas fazer isso com três crianças seria um pesadelo", acrescentou.

Cerca de 5,5 milhões de hectares estão em chamas, o que equivale a mais que a superfície de países como a Dinamarca ou a Holanda. Neste cenário, o governo do primeiro ministro Scott Morrison tem sido alvo de críticas. Ele saiu de férias para o Havaí em dezembro passado, quando as chamas se agravaram. Australianos acreditam que ele não tem se dedicado o suficiente às questões climáticas.

Recentemente, Morrison renovou seu apoio à lucrativa e altamente nociva ao meio ambiente indústria de carvão australiana. A decisão foi tomada mesmo após analistas preverem que o aquecimento global poderia intensificar ainda mais a atual temporada de incêndios. Neste momento, a fumaça dos fogos na Austrália já alcança a Tasmânia e a Nova Zelândia.

Quase meio bilhão de animais mortos

De acordo com ecologistas da Universidade de Sidney, os incêndios já causaram a morte de aproximadamente 480 milhões de espécies, desde que começaram a se alastrar em setembro. Entre répteis, aves e mamíferos, eles estimam que ao menos 8.000 coalas já tenham sido incinerados nos estados de Queensland e New South Wales. 

De acordo com a ministra do meio ambiente Sussan Ley, pelo menos 30% dos coalas na costa noroeste podem ter sido queimados durante os incêndios, já que 30% de seus habitas foram atingidos pelos fogos. "Nós saberemos mais quando as chamas tiverem se acalmado e pudermos avaliar melhor", declarou à ABC. No último domingo, o Hospital Coala Port Macquarie declarou em sua página oficial que todos os animais queimados já haviam completado o tratamento.

Nas redes sociais, turistas e moradores da região têm compartilhado vídeos e fotos de coalas fugindo dos incêndios. Veja abaixo o caso de um ciclista que parou para ajudar um dos animais com sede:

 

 

Milhares de turistas seguem presos nas praias da Austrália

Ainda na quarta, o governo da Austrália anunciou uma megaoperação de resgate para ajudar milhares de pessoas que, fugindo dos incêndios, passaram a véspera do ano-novo refugiadas nas praias. Este é o caso de um grande grupo de turistas no estado de Vitória. Segundo autoridades, cerca de 4 mil pessoas na cidade costeira de Mallacoota precisaram buscar refúgio nas orlas, enquanto os ventos lançavam chamas sobre as propriedades da região. Quem não estava à beira-mar, se escondeu em postos de gasolina e clubes de surf, que foram transformados em centros de evacuação.

O comissário de emergência de Vitória, Andrew Crisp, disse a repórteres que a Força de Defesa australiana estava transferindo ativos navais para Mallacoota, em uma missão de suprimentos que duraria duas semanas. Helicópteros também levarão mais bombeiros, já que as estradas estão inacessíveis. Até o momento, não há vítimas fatais na região, o que o comissário atribui à rapidez com que os bombeiros conseguiram chegar à área e evitar que o fogo alcançasse a praia.

Onda de calor é prevista para os próximos dias 

Segundo informado pelo serviço climático australiano, milhares de turistas têm até 48 horas para deixar as áreas da costa sudeste antes da chegada no próximo sábado, 4, de uma nova onda de calor. A expectativa é que ela agrave ainda mais a situação das chamas no país. É esperado pelas equipes de segurança e resgate que o fim de semana seja 'decisivo' para essa temporada de incêndios, com rajadas de vento e temperaturas acima dos 40 graus. Eles estimam que a situação seja pior do que a de terça, quando as temperaturas elevadas e as fortes ventanias fizeram mais três mortos. Na ocasião, um bombeiro voluntário acabou entre as vítimas.

Em Nova Gales do Sul, os bombeiros instruíram os visitantes a deixar uma área costeira de 200 quilômetros na exótica cidade de Batemans Bay, que fica a cerca de 300 quilômetros ao sul de Sydney. A evacuação da área proibida aos turistas será "a mais importante de todos os tempos na região", disse o ministro dos Transportes à ABC. Nesta quarta, milhares de voluntários aproveitaram as boas condições climáticas para combater os pequenos focos de incêndio, que ainda podem ser controlados. A estratégia visa evitar que essas chamas localizadas cresçam com os ventos e o calor dos próximos dias, tornando-se devastadoras./ AP e AFP

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