Foto: Noah Berger / AP
Foto: Noah Berger / AP

Número de desaparecidos por incêndios na Califórnia chega a 631

Chamas no norte do Estado deixaram ao menos 63 mortos; outras três mortes aconteceram no sul

O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2018 | 04h47

SÃO FRANCISCO - Uma semana depois do início de dois gigantescos incêndios que atingem a Califórnia, o número de pessoas desaparecidas por causa aumentou dramaticamente e subiu para 631 nesta sexta-feira, 16. O número de mortos no "Camp Fire", o incêndio florestal mais letal da história do estado na costa oeste dos Estados Unidos, subiu para 63, depois que as autoridades encontraram mais sete corpos na quinta-feira (15). Outras três foram mortas pelo Woolsey Fire, no sul do estado.

O condado de Butte, no norte do estado, onde acontece o incêndio batizado como "Camp Fire", que com 63 vítimas mortais já é o mais mortífero da história californiana, atualizou na noite desta quinta-feira, 15, a lista de pessoas desaparecidas para 631. O número é mais que o dobro do registrado pela manhã e quase cinco vezes maior que na quarta-feira, 14.

As outras três mortes aconteceram no incêndio que atinge o sul do estado, perto de Los Angeles, e onde as autoridades declararam que não há informação de nenhuma pessoa desaparecida.

A maioria dos desaparecidos vive em Paradise, cidade de 26 mil habitantes que foi destruída pelas chamas. O município fica aos pés da Sierra Nevada, em meio a um clima seco e ensolarado que no último meio século atraiu muitos aposentados. A maioria das pessoas que aparece na lista de desaparecidos tem mais de 60 anos.

Combate aos incêndios

Os bombeiros, por sua parte, conseguiram avançar e controlaram 40% do incêndio após alguns dias com os trabalhos praticamente estancados por conta das condições meteorológicas desfavoráveis.

De acordo com os cálculos mais recentes, o "Camp Fire" queimou um total de 10.321 edifícios (8.650 deles imóveis particulares) e afetou 56.655 hectares.

O governador da Califórnia, Jerry Brown, e o secretário de Interior americano, Ryan Zinke, visitaram nesta quarta a área afetada e prometeram auxílio estadual e federal para ajudar nas tarefas de recuperação.

No próximo sábado, o presidente Donald Trump deverá visitar o Estado para se reunir com pessoas afetadas pelas chamas.

Os efeitos do fogo alcançam a área da baía de São Francisco, de sete milhões de pessoas e a 280 quilômetros de distância do incêndio, onde desde a última semana está ativo um alerta pela má qualidade decorrente da fumaça.

O Distrito de Gestão de Qualidade do Ar da região classifica a situação de "muito ruim para a saúde" e recomenda aos moradores que evitem sair às ruas na medida do possível e, quando tenham que fazê-lo, que usem máscaras de proteção.

As pequenas partículas contidas na fumaça podem acumular-se nos pulmões e irritar o sistema respiratório, razão pela qual, embora o alerta seja extensivo a toda a população, grupos como crianças, idosos e os que sofrem com doenças respiratórias ou do coração são os que correm mais risco.

Diante dessa situação, as três universidades estaduais da área suspenderam as aulas e permanecerão fechadas durante o resto da semana.

Em paralelo ao "Camp Fire", o incêndio do sul, que foi batizado como "Woolsey Fire" e também está ativo desde a semana passada, queimou 39.800 hectares. Os bombeiros conseguiram contê-lo em 57% até o momento.

Origem das chamas

Apesar da origem de ambos incêndios seguir desconhecida e as autoridades manterem abertas as investigações, alguns dos afetados pelas chamas no norte apresentaram um processo contra a maior companhia provedora de gás e eletricidade do estado, a Pacific Gas & Electric Co. (PG&E).

A PG&E revelou na semana passada aos reguladores que detectou um "problema" em uma linha de alta tensão próxima à área onde se declarou o incêndio apenas alguns minutos antes que se iniciassem as chamas. / AP, AFP e EFE

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