Konstantinos Tsakalidis/WP
Konstantinos Tsakalidis/WP

Incêndios no pior verão em 30 anos fazem 2 mil fugir de ilha na Grécia

Ao menos 570 bombeiros tentam apagar o fogo na região; cientistas afirmam que fenômenos têm relação com o aquecimento do planeta

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 16h25

EVIA, Grécia - Ao menos 2 mil pessoas fugiram nesta segunda-feira, 9, da ilha de Evia, a segunda maior da Grécia, enquanto incêndios florestais devastam o local. Provocadas pela pior onda de calor em 30 anos –  com temperaturas superiores a 45°C–  as queimadas levaram a população a protestar contra o governo do premiê Kyriakos Mitsotakis, que se desculpou pela lentidão na resposta à emergência. 

Imagens dramáticas da retirada dos residentes de Evia mostram  o fogo ainda avançando, apesar do recuo na temperatura e dos esforços para combater as chamas. 

Segundo cientistas, a onda de calor e os incêndios provavelmente têm relação com o aquecimento do planeta. Nesta segunda-feira, o relatório do Painel da ONU sobre mudanças climáticas indicou que eventos similares podem se tornar mais frequentes caso o aumento da temperatura global não seja freado. 

O cuidado maior das autoridades locais na retirada de Evia é com os idosos. Ao menos 570 bombeiros trabalham na ilha, com auxílio de equipamentos enviados pela União Europeia.

Apesar do esforço, a atuação dos helicópteros que despejam jatos d’água contra as chamas tem sido dificultada pela pouca visibilidade. 

Os incêndios de verão no Mediterrâneo são os piores desde quando começaram a ser monitorados, em 2003. A estação quente deste ano, no hemisfério norte, tem trazido ondas de calor inimagináveis, com temperaturas superiores a 40°C em locais temperados, como o Canadá e o noroeste dos Estados Unidos. 

Drama

"Tenho vontade de chorar todos os dias”, disse Nicholas Valasos, morador de Evia, ao conseguir retirar parentes idosos da ilha. “A pior coisa é ser acordado pela polícia de madrugada e ter de deixar tudo para trás e fugir.”

Segundo a imprensa grega, o dano é incalculável. Os que permaneceram em Evia agora começam a contar os estragos. “Foi a maior catástrofe da história do povoado”, disse Makis Ladogiannakis, um dos sobreviventes. 

Os moradores de Evia vivem da produção de vinho e resina, e as plantações foram alvo fácil para as chamas. 

Em Atenas, o chefe de governo pediu desculpas em meio a uma onda de raiva da opinião pública pela lentidão no combate às chamas.

“Entendo completamente a dor dos nossos compatriotas que perderam suas casas”, disse Mitsotakis. “As falhas serão identificadas.” /WASHINGTON POST E AP

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