Ellen Smith/AP
Ellen Smith/AP

Incêndios obrigam quase 100 mil a deixarem suas casas na Austrália

Autoridades declararam estado de emergência em cinco localidades próximas de Melbourne; 11 pessoas já morreram

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2019 | 08h25

MELBOURNE - Quase 100.000 pessoas foram obrigadas a abandoar cinco localidades próximas a Melbourne nesta segunda-feira, 30, enquanto a onda de incêndios continua devastando a Austrália.

As autoridades declararam estado de emergência na segunda maior cidade do país. Em Bundoora, a 16 quilômetros do centro da cidade e sede das duas principais universidades da Austrália, o fogo "ameaça casas e vidas", anunciou o serviço de emergência do estado de Victoria.

"Vocês estão em perigo e devem agir imediatamente para sobreviver", afirmou a agência em um comunicado destinado aos moradores. 

Canais locais exibem imagens de bombeiros sobrevoando bairros residenciais e de famílias molhando suas casas com a esperança de impedir o avanço das chamas.

Esta é a mais recente declaração de emergência na Austrália na atual temporada, devastadora, de incêndios, agravada por uma seca prolongada e pela mudança climática.

No estado de Nova Gales do Sul, um bombeiro voluntário morreu e dois sofreram queimaduras durante os combates às chamas ao sudoeste de Sydney.

Desde o início dos incêndios, 11 pessoas morreram, mais de mil casas foram destruídas e mais de três milhões de hectares (área maior que o território da Bélgica) foram devastados.

As condições pioraram com fortes ventos e as temperaturas dispararam ao longo do país, atingindo 47 graus em alguns estados da região oeste e 40 em todos os estados, inclusive no estado insular da Tasmânia.

Mais de 12 incêndios estão fora de controle na região de Gippsland, onde as autoridades recomendaram aos turistas que abandonem a área.

Alguns incêndios são de tamanha intensidade que centenas de bombeiros tiveram que recuar para fora linha de fogo de quase mil quilômetros.

O comandante do combate aos incêndios em Gippsland, Ben Rankin, considera "perigoso" que os bombeiros permaneçam nas áreas de florestas e afirmou que a situação é "muito intensa".

As autoridades alertaram os turistas em Gippsland que os incêndios podem provocar o fechamento da última estrada ainda aberta.

O comissário dos serviços de emergência do estado de Victoria, Andrew Crisp, afirmou que moradores e turistas na região provavelmente terão que permanecer onde estão porque "agora é muito tarde para sair".

Na região vizinha da Austrália do Sul, as condições também são consideradas "catastróficas".

O comandante dos bombeiros do estado, Brenton Eden, citou o risco de tempestades elétricas "secas", que geram trovões e raios, mas não chuvas - que já provocaram vários incêndios, incluindo um na ilha Kangaroo.

As condições também devem piorar em Nova Gales do Sul, que nesta segunda-feira registrava 100 incêndios ativos, 40 deles fora de controle.

Sydney e outras grandes cidades foram envolvidas por uma fumaça tóxica durante semanas, o que obrigou as crianças a permanecer em suas casas e provocou o cancelamento de eventos esportivos. A capital Canberra cancelou a festa de fogos de artifício do Ano Novo. 

Em Sydney, moradores criaram uma campanha para cancelar os famosos fogos de artifício de Ano Novo e destinar o dinheiro ao combate às chamas. Eles conseguiram reunir 270.000 assinaturas, mas as autoridades anunciaram que a festa está confirmada.  /AFP

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