EFE/Martín Alipaz
EFE/Martín Alipaz

Incerteza eleitoral não tira tranquilidade de mercados

Agentes econômicos peruanos estimam que nenhum dos dois candidatos ameaça estabilidade econômica

Luiz Raatz, Enviado Especial / Lima, O Estado de S. Paulo

07 Junho 2016 | 05h00

A indefinição da eleição presidencial no Peru não desestabilizou o mercado, que acredita que ambos os candidatos, tanto Keiko Fujimori quanto Pedro Pablo Kuczynski, manterão a política monetária e não ameaçarão a estabilidade econômica do país. Mesmo diante da indefinição, o risco país caiu de 213 para 211 pontos e a Bolsa de Lima fechou em alta.

A tranquilidade dos mercados não se alterou nem mesmo ante a possibilidade de Pedro Pablo Kuczynski ter de assumir o desafio de liderar um governo minoritário no Congresso. O fujimorismo tem 73 dos 130 deputados.

A bancada do partido Peruanos Por el Kambio, de Kuczynski, é apenas a terceira, com 18 deputados, atrás ainda dos 20 parlamentares da Frente Ampla, partido esquerdista de Verónika Mendoza – que, apesar de ter anunciado apoio a PPK no segundo turno, já disse que fará oposição a qualquer um dos candidatos. Outros partidos, entre eles os tradicionais Apra e Ação Popular, somam 19 deputados.

Analistas peruanos dizem que a atuação parlamentar da maioria obtida por Keiko, graças a um intenso trabalho de alianças com líderes regionais no interior do país, será decisiva para que seu partido Fuerza Popular se apresente como uma força capaz de chegar ao Executivo em 2021. Caso os fujimoristas façam uma oposição consciente, podem ser entendidos como parte do jogo democrático.

 A rejeição ao fujimorismo fez com que PPK reequilibrasse uma disputa que pesquisas de intenção de voto davam como praticamente perdida havia um mês. “O sul tem memória e rechaçou o narcoestado”, disse Verónika, muito popular em províncias como Cuzco, Arequipa e Puno, onde Kuczynski obteve ampla votação. “Foi um voto útil para derrotar o fujimorismo”, disse o sociólogo Javier Barreda.

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