Reuters
Reuters

Incertezas ameaçam cúpula sobre crise ucraniana, em Minsk

Governo russo diz não aceitar tom de 'ultimato' do Ocidente; Obama liga para Putin para discutir escalada de violência

PARIS, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2015 | 02h05

O governo da Rússia acusou ontem o Ocidente de impor um ultimato nas negociações sobre um novo cessar-fogo nos combates em curso na Ucrânia, ampliando a incerteza sobre a cúpula prevista para hoje, em Minsk, na Bielo-Rússia.

De acordo com a chancelaria da Alemanha, a reunião que deve ter as presenças de Vladimir Putin, François Hollande, Angela Merkel e do presidente ucraniano, Petro Poroshenko, pode nem mesmo acontecer. O risco de fracasso pesava ontem. Um dos motivos de insatisfação do Kremlin era a nova rodada de sanções anunciada pela União Europeia na terça-feira - que serão implementadas caso as negociações fracassem.

Além disso, a incerteza quanto à decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de enviar ou não armas para a Ucrânia, também desagrada os russos. "Ninguém jamais falou e não pode falar ao presidente (Putin) em tom de ultimato", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em entrevista a uma rádio de Moscou.

No começo da noite, Obama telefonou para Putin para discutir a escalada da violência no leste da Ucrânia. "Obama reforçou a importância de aproveitar a oportunidade (da cúpula)... para alcançar uma solução pacífica", afirmou comunicado da Casa Branca.

Ontem, o "Grupo de Contato", formado por diplomatas da Ucrânia, Rússia, representantes dos separatistas e da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), se reuniram em Minsk para discussões, a portas fechadas, que antecederam a cúpula de hoje.

No entanto, segundo chanceler da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, ainda há incerteza sobre o encontro entre os líderes. "Não é certo que a cúpula aconteça", afirmou, às margens de uma reunião em Bruxelas.

De acordo com o cientista político Philippe Moreau Defarges, pesquisador do Instituto Francês de Relações Internacionais, de Paris, a cúpula pode ser um fracasso mesmo que chegue a um acordo simbólico de cessar-fogo, como aconteceu no ano passado.

"Para que haja um acordo, é necessário que Putin aceite recuar, o que aparentemente está fora de cogitação", afirmou. "Por outro lado, Hollande e Merkel estão prontos a aceitar muita coisa, mas, ao mesmo tempo em que não têm muitas alternativas, não podem aceitar a explosão do país." / A.N.

Tudo o que sabemos sobre:
crise na UcrâniaO Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.