Incertezas marcam a Bulgária após eleição

A Bulgária enfrenta novas incertezas políticas nesta segunda-feira, depois de o ex-primeiro-ministro Boyko Borisov não ter conseguido a maioria dos votos nas eleições realizadas três meses depois de grandes manifestações terem forçado a renúncia de seu governo.

Agência Estado

13 de maio de 2013 | 10h17

Após uma campanha tensa, marcada por acusações de fraude, o partido de centro-direita Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB), de Borisov, conquistou 30,71% dos votos, segundo resultados oficiais, com 96% das urnas apuradas.

Mas analistas acreditam que o ex-premiê de 53 anos não vai convencer nenhum dos outros três partidos a formar uma coalizão liderada pelo GERB para governar o país mais pobre da União Europeia (UE).

"Este é o adeus para o GERB. Eles não vão governar o país", disse o analista do Instituto Gallup, Kancho Stoychev, acrescentando que a campanha, marcada por escândalos e acusações de fraude colocou o GERB em "total isolamento".

Enquanto o GERB registrou perda de cerca de 8 pontos porcentuais em relação ao pleito de 2009, o Partido Socialista Búlgaro (BSP) obteve 27,02% dos votos, mais de 10 pontos porcentuais a mais.

Os demais partidos que conseguiram votos suficientes para conquistar cadeiras no Parlamento foram o Movimento pelos Direitos e Liberdades (MRF), que conquistou 10,59% e o ultranacionalista Ataca, com 7,38% dos votos.

O Ataka, o mais provável parceiro de Borisov, descartou o apoio a um gabinete do GERB. Se o ex-premiê não conseguir formar um governo, a tarefa será repassada aos socialistas.

Eles também já haviam dito que estão prontos para buscar um amplo consenso para um gabinete de tecnocratas, possivelmente liderado pelo ex-ministro de Finanças Plamen Oresharski, que também deve contar com o apoio do MRF.

Uma estimativa preliminar da comissão eleitoral mostrou que o GERB obteve 98 assentos no Parlamento de 240 cadeiras, sendo que o BSP conseguiu 86, o MRF 33 e o Ataka 23.

Segundo Krasimir Kalinov, membro da comissão, pequenas alterações de uma ou duas cadeiras ainda podem acontecer, mas que o BSP e o MRF devem deter a maioria.

"Lentamente e de forma dolorosa, a Bulgária está se livrando do GERB e esse é um processo de cicatrização. Está claro que o GERB não será capaz de formar um governo que seja bom para a Bulgária", disse o líder socialista Sergey Stanishev, na noite de domingo.

Ele pediu "rápidas negociações com todos os partidos, exceto o GERB, para um programa que tire o país da crise...e acalmem as tensões sociais". As informações são da Dow Jones.

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