Incertezas marcam o futuro da transição no Afeganistão

Segurança, corrupção e tensões étnicas podem afetar saída das tropas americanas do país, marcadas para 2014

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2012 | 03h03

As tendências dominantes da guerra no Afeganistão podem ser facilmente resumidas. Difícil é imaginar como é a sua somatória. O quadro confuso sem dúvida contribuiu para recentes resultados de sondagens de opinião mostrando que dois terços dos americanos são contrários ao envolvimento de seu país no conflito.

Os próprios afegãos parecem confusos; segundo uma pesquisa feita em 2011 pela Asia Foundation, 73% dos cidadãos apoiam seu governo nacional (e porcentagens ainda mais altas seu Exército e sua polícia), mas somente 46% acreditam que o país está seguindo na direção certa.

Eis o que sabemos: os afegãos estão mais ricos, mais saudáveis e mais bem educados do que nunca. Inquestionavelmente, as forças de segurança afegãs estão maiores e melhores. Apesar de atentados ocasionais, Cabul é relativamente segura, respondendo por menos de 1% dos episódios violentos nacionais, graças, em grande parte, aos esforço desses contingentes. A situação de segurança no sul mais perigoso também melhorou bastante após dois anos de esforços por forças estrangeiras e afegãs. O norte e o oeste pelo menos não estão mais se deteriorando e coletivamente respondem por menos de 10% da violência nacional.

Já o leste, perto de onde insurgentes da rede Haqqani encontraram abrigo do outro lado da fronteira com o Paquistão, continua altamente conturbado. Ali, a violência insurgente contra cidadãos e soldados afegãos, bem como soldados estrangeiros, realmente aumentou cerca de 20% no último ano. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e forças afegãs concentrarão cada vez mais seus esforços no leste neste ano e no próximo.

Além disso, após os ataques de soldados afegãos a unidades da Otan, a confiança entre as forças está mais baixa do que nunca. Enquanto isso, a corrupção continua alta no governo. Algumas medidas anticorrupção foram tomadas, mas ainda não se podem encontrar evidências claras de que elas estão funcionando sistematicamente.

Existe o risco de as eleições afegãs de 2014 intensificarem as tensões étnicas já crescentes entre os pashtuns e a minoria tajique, e entre os usbeques e os hazaras, e as conversações de paz com o Taleban estão estagnadas.

Após as últimas semanas prejudicadas pelos ataques à unidades da Otan, além de tumultos após militares americanos terem queimado exemplares do Alcorão e a acusação de que outro americano massacrou 17 civis afegãos, americanos e afegãos estão certos em se perguntar sobre o futuro do conflito. Mas eles também têm algumas notícias boas a considerar, como os novos acordos transferindo a responsabilidade pelas incursões noturnas e a principal prisão da coalizão ao governo afegão.

Com base nas tendências atuais o desfecho mais provável no Afeganistão está confuso. Em 2014, quando a Otan se retirar, o governo afegão deve ser capaz de reter a maioria das cidades. Mas 2014 está distante. / NYT

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