Incidente em Gaza cancela reunião entre israelenses e palestinos

Forças de segurança palestinas estabeleceram postos de vigilância na Faixa de Gaza nesta quarta-feira para mostrar que são capazes de manter a ordem como parte de um novo acordo de segurança, mas Israel adiou uma reunião para executar o pacto devido a novos atos de violência enquanto dois palestinos eram mortos em incidentes separados. O acordo anunciado em 18 de agosto para utilizar Gaza e Belém, na Cisjordânia, levou à retirada das forças israelenses de Belém dois dias depois. Os palestinos acusam os israelenses de estarem atrasando a entrega de Gaza. Israel alega que os palestinos não estão contendo atentados e cancelou uma reunião entre o ministro da Defesa, Binyamin Ben-Eliezer, e o ministro palestino do Interior, Abdel Razak Yehiyeh, após incidentes em Gaza. Por meio de um comunicado, o Ministério da Defesa de Israel informou que a reunião foi adiada por tempo indeterminado, mas garantiu que Ben-Eliezer ainda está comprometido com o acordo. O ministro de gabinete israelense Dan Naveh também manifestou ceticismo com relação ao plano. "Mesmo que tenhamos alguma ilusão de que houve uma melhora na conduta dos palestinos nos últimos dias, é preciso lembrar que isto não se deve à ação dos palestinos. É resultado da recente e determinada atividade do Exército" israelense, disse. O ministro israelense de Relações Exteriores, Shimon Peres, garantiu que o Exército se retiraria de mais áreas se os palestinos mantivessem a ordem em Gaza e Belém. "A normalização das relações é uma conseqüência direta das condições de segurança e esperamos muito que os palestinos arquem seriamente com suas responsabilidade em Gaza e Belém", disse durante uma visita ao entroncamento de Karni, entre Gaza e Israel. Ataques Na manhã desta quarta-feira, tanques israelenses foram conduzidos ao litoral para atacar um suposto carregamento marítimo de armas, enquanto helicópteros sobrevoavam o local. Um contêiner explodiu quando foi atingido pelo fogo israelense, disse o Exército. Em outro incidente, palestinos atacaram com morteiros um assentamento judaico em Gaza. Uma casa foi atingida, mas o moradores nada sofreram. Ao cair da noite, tanques israelenses avançaram 300 metros em território palestino e fecharam uma via costeira de Gaza, relataram moradores. Armados com pistolas automáticas, policiais palestinos em Gaza checavam documentos e abriam porta-malas de carros - muitas vezes nos destroços de antigos bloqueios destruídos há alguns meses por Israel - numa tentativa de cumprir parte do acordo. A presença de postos de checagem israelenses a poucos metros de bloqueios palestinos similares aumentavam o ceticismo palestino com relação à duração do acordo. "Espero que funcione mas não podemos confiar nos israelenses", diz Ahmed Abu Oweila um motorista de táxi de 42 anos em Gaza. "Nada mudou a intenção deles." Nesta quarta-feira, as forças israelenses prenderam Jamal Natche, chefe dos braços político e militar do Hamas na cidade cisjordaniana de Hebron, disseram fontes ligadas aos serviços de segurança. Em choques, mais dois palestinos foram assassinados pelo Exército israelense. No campo de refugiados de Jenin, Mohammed Amouri, de 34 anos, foi morto por um disparo de tanque quando estava dentro de casa, disseram testemunhas. De acordo com palestinos, homens armados atacaram quatro tanques israelenses, que revidaram o fogo e acertaram Amouri na cabeça dentro de casa. Em Gaza, um verdureiro foi assassinado por soldados israelenses perto do assentamento judaico de Gush Katif. Testemunhas disseram que ele pedalava a bicicleta. O Exército israelense diz que ele atirou pedras e tentou escalar uma guarita num local proibido para os palestinos.

Agencia Estado,

28 Agosto 2002 | 18h57

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