Adriana Zehbrauskas/The New York Times
Adriana Zehbrauskas/The New York Times

Incrédulos, mexicanos revivem tremor de 1985

Os bairros de La Roma e La Condesa, destruídos 32 anos atrás, tiveram vários edifícios destruídos

O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2017 | 23h02

CIDADE DO MÉXICO - "Não é possível que ele tenha ocorrido também em 19 de setembro", disse entre soluços Lucía Solís, que viveu o poderoso terremoto desta terça-feira no bairro La Roma, que foi um dos mais destruídos pelo tremor de 1985.

Como Solís, de 42 anos, os habitantes de La Roma e do bairro vizinho La Condesa, na Cidade do México, reviveram a tragédia daquele dia, 32 anos atrás, quando um tremor de 8,1 graus matou cerca de 10 mil pessoas em todo o país e deixou em ruínas vários setores da capital. 

Em ambos os bairros, mais uma vez várias estruturas desabaram com o terremoto que atingiu a região central do México no horário do almoço.

"Estávamos no 13.º andar e as escadas começaram a desmoronar enquanto descíamos, mas conseguimos sair", disse entre lágrimas Amalia Sánchez, amiga de Solís, diante de um edifício do qual saía fumaça por causa da explosão de botijões de gás.

Em razão da falta de transporte público, um mar de pessoas caminhava pela Avenida Insurgentes, que separa La Roma de La Condessa, o primeiro um bairro da moda, estilo hypster, com restaurantes exclusivos e onde moram muitos estrangeiros; o segundo caracterizado por seus elevados alugueis.

O pânico generalizado se misturava ao odor de gás que se respirava em cada esquina, enquanto os soldados tentavam, sem êxito, criar cinturões de segurança em meio ao caos. "Não fumem, não fumem", pediam os socorristas advertindo para o vazamento de gás.

"Já tínhamos saído durante o terremoto, mas voltamos para pegar nossas coisas e tudo desabou, de repente não havia luz e senti que a parede estava inclinada sobre mim, por aí consegui me arrastar e sair pelo teto", disse Luis Pares, um engenheiro de 45 anos.

Contando tudo com um sorriso nervoso e sacudindo com as mãos trêmulas o pó sobre uma de suas companheiras de trabalho, Pares também recordou o terremoto de 32 anos atrás.

"Consegui tirar pelo teto vários companheiros que estavam no andar de baixo, quase todos incrivelmente sem lesões. Mas ainda não consigo acreditar - bem no 19 de setembro", acrescentou o homem que tinha apenas alguns arranhões nas mãos.

"Ali tem muita gente presa!, gritava uma mulher apontando para uma clínica de medicina alternativa que desmoronou completamente e do qual saíam pessoas com vida, mas totalmente em choque.

"Parecia que tudo ia cair", disse o jogador paraguaio do América do México Cristhian Paredes, sobre os momentos de angústia que viveu nesta terça-feira no Estádio Azteca. "Graças a Deus estamos bem", disse, nervoso, a uma rádio.

"Eu estava com Pablo (Aguilar, também paraguaio) no vestiário e tivemos de sair correndo para o campo para nos salvarmos", disse o meio-campista de 19 anos.

Aguilar, por sua vez, disse que também saiu correndo, apesar de não estar totalmente vestido. 

O América se preparava para enfrentar o Cruz Azul pelas oitavas de final da Copa Abertura de 2017 no Estadio Azteca, que acolheu as finais dos Mundiais de 1970 e 1986. / AFP

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