Incursão etíope é considerada declaração de guerra, diz líder islâmico somali

Os temores de um conflito regional aumentaram no Chifre de África nesta segunda-feira depois que a tomada de um porto estratégico pela milícia islâmica que governa o sul da Somália desencadeou fortes protestos. Ao mesmo tempo, soldados etíopes entraram na Somália para apoiar o frágil governo do país, reconhecido pela comunidade internacional mas ofuscado pelo poderio das milícias islâmicas. De acordo com testemunhas, cerca de 300 soldados etíopes a bordo de um comboio de veículos blindados passaram por Bardaale, a apenas 60 quilômetros de Baidoa, única cidade ainda dominada pelo frágil governo somali. Milícias islâmicas acreditam que os soldados da Etiópia pretendem impor obstáculos no caminho entre Kismayo e Mogadiscio."A incursão das forças etíopes em território somali é uma declaração de guerra à Somália", considerou o xeque Yusuf Indahaadde, secretário de segurança nacional do grupo islâmico, durante conversa com a Associated Press."Nós pedimos à comunidade internacional que peça à Etiópia que retire suas tropas da Somália. Se isso não acontecer, as conseqüências da insegurança criada pela Etiópia se expandirão para os países vizinhos e para o leste da África como um todo", analisou.Entretanto, o governo da Etiópia nega que soldados do país tenham entrado na Somália. Os países travaram uma guerra entre 1977 e 1978 e consideram-se inimigos.Novo Taleban?Ao estabelecer autoridade sobre Mogadiscio e praticamente todo o sul da Somália, em junho, o grupo muçulmano somali foi amplamente comparado com a milícia fundamentalista islâmica Taleban, que governou o Afeganistão de 1996 a 2001.O milionário saudita no exílio Osama bin Laden, líder da rede extremista Al-Qaeda, disse recentemente em uma fita reproduzida em todo o mundo que considera a Somália um campo de batalha de sua guerra contra os Estados Unidos.Nesta segunda, milhares de pessoas protestaram contra a milícia islâmica em Kismayo, 420 quilômetros a sudoeste de Mogadiscio. Ontem, a milícia tomou Kismayo, terceira maior cidade do país e um dos poucos portos sobre os quais ainda não detinha controle, sem disparar nenhum tiro.Nesta segunda-feira, porém, milicianos islâmicos abriram fogo contra os manifestantes. Um morador de Kismayo disse ter visto um menino de 13 anos morto. Pelo menos duas crianças ficaram feridas, disseram outras testemunhas. Disparos esporádicos ainda podiam ser ouvidos na cidade durante a noite.

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