Indefinição sobre governo afegão pode continuar

O mais provável novo presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani Ahmadzai, disse nesta quarta-feira que acredita em um governo de união nacional e que vai procurar incluir seu oponente político, ainda que isso exija negociações depois de seu juramento de presidente.

Estadão Conteúdo

10 de setembro de 2014 | 16h53

A maior parte dos afegãos, incluindo Ashraf Ghani Ahmadzai, acredita que ele será nomeado o vencedor. Seu oponente, Abdullah Abdullah, disse nesta semana que não aceitaria o resultado supostamente "fraudulento" que será anunciando pela comissão eleitoral.

Conversas a respeito de quais poderes seriam dados ao perdedor da eleição, que assumiria o novo cargo de chefe-executivo em um governo de união nacional, estão paradas. A equipe de Abdullah quer que ele comande o gabinete. Ghani Ahmadzai disse que isso violaria a constituição, de acordo com a qual o presidente lidera o gabinete. Ele afirmou que sua posição sinaliza o compromisso com o cumprimento da lei.

Se os dois não conseguirem chegar a um acordo em breve, a comissão eleitoral pode ser forçada a anunciar um ganhador da disputa de junho. Ghani Ahmadzai disse que ainda assim haveria tempo para um acordo político de inclusão.

"Acreditamos em um governo de união nacional como uma questão de princípio", afirmou. "Uma fórmula em que o vencedor leva tudo não funciona no Afeganistão. Precisamos ter um governo inclusivo."

Na segunda-feira, Abdullah afirmou que as conversas sobre um governo de união nacional estavam travadas, mas não declarou que elas estavam encerradas.

Ashraf Ghani disse que não há prazo para chegar a um acordo. Seria preferível, segundo ele, concordar antes dos resultados das eleições serem anunciados pela comissão eleitoral. Se não for possível, seria melhor um acordo antes do juramento de presidente. Se essa data passar, a solução ainda poderia ser encontrada nos primeiros 45 dias de sua administração, que será dedicada a formar um novo governo, segundo ele.

Semanas de conversas não renderam qualquer avanço sobre definições da função de chefe-executivo, mesmo com telefonemas do presidentes dos EUA, Barack Obama, e do secretário de Estado americano, John Kerry, aos candidatos.

A comunidade internacional espera uma transição suave de poder com as tropas americanas se retirando do Afeganistão no final do ano. Os EUA querem que o próximo presidente afegão assine rapidamente um acordo de segurança que permita que algumas das 10 mil tropas americanas permaneçam no país após a data, a fim de ajudar a conter operações terroristas e treinar forças afegãs. Fonte: Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.