Independência abre precedente para outros nacionalistas

CENÁRIO: Andrei Netto

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2014 | 02h03

Quando 4,3 milhões de eleitores forem às urnas para decidir sobre a independência da Escócia na quinta-feira, a Europa e o mundo estarão de olho nos resultados. Nos últimos 10 dias, grupos independentistas em diferentes países europeus, como Espanha e Itália, advertiram que uma secessão da Grã-Bretanha pelos escoceses poderá abrir um precedente para outros movimentos nacionalistas. Até a China se preocupa.

O risco de que o plebiscito na Escócia inflame nacionalistas europeus ficou claro na quinta-feira, quando 1,5 milhão de catalães foram às ruas de Barcelona reivindicar um plebiscito sobre a independência em relação à Espanha. A aposta dos nacionalistas é de que a Europa não será mais a mesma, sendo obrigada a abrir as portas para novos movimentos. Esse seria o caso da Catalunha, mas também do País Basco, na Espanha, de Flandres, na Bélgica, da Córsega, na França, e da Padânia, na Itália.

Em comum, as regiões têm o fato de produzirem parte significativa das riquezas de seus países, mas de se considerarem prejudicados na divisão dos benefícios. Além disso, desejam a integração à União Europeia (UE) e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), instituições que lhes garantiriam estabilidade.

Caso se confirme, a independência da Escócia será efetiva a partir de 24 de março de 2016, e abrirá uma série de experiências para os movimentos nacionalistas europeus: a adesão à UE, à zona do euro, ao espaço Schengen e à Otan. Além disso, poderia ecoar fora da Europa, inspirando regiões de China, Rússia e outros países que convivem com movimentos separatistas adormecidos ou sob controle.

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