Independência pode tirar Escócia da UE e da Otan

Independência pode tirar Escócia da UE e da Otan

De acordo com autoridades, alguns países integrantes do bloco são contra conceder ao escoceses os mesmos privilégios dos britânicos

Estadão Conteúdo

15 de setembro de 2014 | 16h45

A independência da Escócia em relação ao Reino Unido, se confirmada em referendo na próxima quinta-feira, pode resultar na saída automática do país de duas importantes alianças do Ocidente: a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan); além de enfraquecer a influência britânica sobre a Europa.

Caso os escoceses tentem fazer parte das duas entidades novamente, a UE seria o caminho mais difícil, de acordo com autoridades das organizações. A principal razão é que alguns países do bloco são totalmente contra conceder à Escócia os mesmos privilégios concedidos ao britânicos, como, por exemplo, não ser obrigado a adotar o euro como moeda oficial e não fazer parte da zona de Schengen, que abre as fronteiras para livre circulação de pessoas dos países membros.

Em relação à Otan, a maior dor de cabeça está ligada ao fato de que os líderes da campanha pelo "sim" defendem que, em um prazo de quatro anos, a Escócia fique livre de armamento nuclear. Com isso, toda a estrutura bélica da marinha britânica instalada no país terá de ser transferida.

"Isso coloca em risco a defesa coletiva dos países da Otan", disse em comunicado o Ministério da Defesa do Reino Unido, acrescentando que a postura livre de armamentos nucleares da Escócia será um forte entrave para a sua reintegração à entidade.

Na União Europeia, a saída dos escoceses também pode acabar enfraquecendo a influência dos britânicos. Atualmente, o Reino Unido está entre os três mais influentes países do bloco, ao lado de França e Alemanha. Com a independência da Escócia, os britânicos podem perder espaço para a Itália, o quarto mais forte. "Na União Europeia, tamanho importa", disse Almut Moeller, do Conselho Alemão de Relações Exteriores.

Fabian Zuleeg, chefe do Centro Europeu de Políticas, faz uma previsão mais radical. Para ele, é possível que a emancipação da Escócia resulte na saída do Reino Unido da UE, pois, nas últimas eleições parlamentares, o partido britânico que se posiciona contra o bloco europeu, o UKIP, foi o mais votado. "A saída da Escócia da UE aumenta as chances de o Reino Unido sair também", diz. Fonte: Associated Press.

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