'Independentes' manterão força de Ahmadinejad

Os partidos mais próximos do líder espiritual Ali Khamenei foram os que elegeram mais deputados nas eleições de sexta-feira, mas não é certo que o presidente Mahmoud Ahmadinejad fique com uma minoria reduzida no Parlamento. Isso porque muitos deputados eleitos não declararam apoio ao presidente para evitar serem desqualificados pelo Conselho Guardião, controlado pelo líder espiritual, e também porque há muita margem de negociação no Parlamento iraniano, segundo analistas ouvidos pelo Estado.

LOURIVAL SANTANNA , ENVIADO ESPECIAL / TEERÃ, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2012 | 03h05

"A estratégia de Ahmadinejad foi espalhar partidários entre pequenos grupos e evitar que eles declarassem apoio", disse Kamal Taheri, um analista próximo ao presidente. "Vi muitos desses candidatos 'independentes' no gabinete de Ahmadinejad." O analista Amir Mohebbian, de tendência conservadora, concorda que não se pode falar de derrota irreparável para o presidente: "Não está claro se Ahmadinejad foi duramente golpeado ou não."

Taheri estima que Ahmadinejad venha a ter o apoio firme de cerca de 100 dos 310 deputados. Segundo ele, no Parlamento atual, que tem 290 cadeiras, a base do governo é formada por "60 a 80" deputados que "verdadeiramente" apoiam o presidente. As bancadas do Parlamento iraniano são tradicionalmente móveis. Os apoios flutuam de acordo com negociações e também com os humores do poderoso líder espiritual.

O novo Parlamento toma posse dia 28 de maio. Antes disso, Ahmadinejad poderá sofrer um processo de impeachment, por causa dos problemas econômicos vividos no país.

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