Prabhjot Gill/AP
Prabhjot Gill/AP

Índia abre as portas aos gigantes de distribuição multimarcas

Gigantes da distribuição podem representar uma ameaça para os pequenos comerciantes de bairro

Efe,

25 de novembro de 2011 | 09h26

NOVA DÉLHI - As indústrias e os consumidores receberam nesta sexta-feira, 25, com otimismo a decisão do Governo indiano de abrir o setor do varejo ao capital estrangeiro, abrindo as portas do país a multinacionais como a francesa Carrefour, a americana Wal-Mart e a britânica Tesco.

A decisão foi tomada quinta-feira à noite pelo Gabinete do Governo indiano e confirmada à imprensa pelo ministro da Alimentação e Consumo, K.V. Thomas, após anos de polêmicas sobre o efeito que a entrada de capital estrangeiro poderia causar na indústria local.

Na prática, as empresas estrangeiras poderão ter lojas para vender uma só marca sem a necessidade de associar-se às companhias indianas, e podem chegar a ter 51% em projetos especializados de multimarcas, como os supermercados.

Até agora, a presença estrangeira era só tolerada de forma plena no setor atacadista, e as marcas estrangeiras dedicadas à distribuição de uma só marca, como a Zara, deviam chegar a acordos com companhias locais para estabelecer-se na Índia.

"Esta mudança terá impacto positivo no mercado indiano e vai aumentar a imagem da Índia como uma das economias que mais cresce do mundo", afirmou em comunicado o chefe no país de Bharti Wal-Mart, Raj Jain, após conhecer a notícia.

As companhias indianas do setor cotadas na Bolsa de Valores de Mumbai registraram nesta sexta-feira fortes lucros após a notícia, porque segundo os analistas os investidores consideravam que o setor dos supermercados necessitava uma forte injeção de capital.

Wal-Mart e Carrefour, presentes na distribuição atacadista, há tempos tentavam ampliar seu negócio na Índia, onde o tamanho total do setor, pelos dados da indústria, pode dobrar daqui a 2015 e rondar os US$ 800 bilhões.

"Permitir investimento estrangeiro direto na distribuição no varejo é uma boa notícia para os consumidores indianos e os negócios, e esperamos mais detalhes sobre as condições", afirmou a companhia Tesco em comunicado citado por diversos meios.

Conforme uma fonte oficial indiana seguirá tendo condições: os investimentos devem ser de ao menos US$ 100 milhões, 50% das operações devem ser em infraestruturas e só se permitirão por enquanto lojas nas cidades maiores de 1 milhão de habitantes.

A reforma do setor no varejo foi largamente reivindicada por setores da indústria e os consumidores no país, onde persiste uma estrutura de venda e distribuição ineficaz e a refrigeração no transporte e armazenamento é ineficaz.

Só 4 milhões dos 104 milhões de toneladas transportados a cada ano no país têm transporte refrigerado, e as instalações deste tipo do Governo somam 23,66 milhões, menos da metade do necessário.

"Como não há processamento e armazenamento adequados de frutas e verduras, 35% da produção se perde", reconheceu no último relatório anual o Ministério de Indústria de Processamento Alimentar.

Os políticos indianos levavam anos debatendo a reforma e ainda não chegaram a um acordo sobre a conveniência: hoje mesmo, a oposição obrigou aos gritos a adiar a sessão parlamentar em andamento contra a decisão do Governo.

Os defensores da entrada de capital estrangeiro dizem que servirá para criar emprego, dar maior margem de benefício aos camponeses e baratear os preços de venda final, porque eliminarão intermediários da cadeia produtiva.

Mas os críticos temem a ameaça de que os gigantes da distribuição podem representar para os pequenos comerciantes de bairro.

 

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