Índia acusa estrangeiros por ataque; mortos chegam a 125

Polícia anuncia libertação de reféns em hotéis; premiê acredita que grupo responsável tem base fora do país

Agências internacionais,

27 de novembro de 2008 | 12h38

Vários reféns e cadáveres foram retirados nesta quinta-feira, 27, dos hotéis de luxo durante a operação das forças especiais indianas para libertar as pessoas detidas por supostos militantes muçulmanos que atacaram pelo menos dez pontos da capital financeira da Índia, Mumbai. Segundo a CNN, a polícia afirmou que o número de mortos chegou a 125, além de outros 327 feridos nos atentados coordenados. O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, culpou "forças estrangeiras" pelos ataques. A Índia tem como inimiga o Paquistão, nação muçulmana com a qual já entrou em guerra em três ocasiões. Os dois países possuem armas nucleares.   Veja também: Polícia liberta reféns de um dos hotéis na Índia Assista ao vídeo com cenas dos ataques  Não há vítimas brasileiras em ataques na Índia, diz Consulado Ligação da Al-Qaeda com ataques na Índia é improvável   Homens armados com fuzis AK-47 e granadas entraram nos dois hotéis mais luxuosos da cidade procurando por hóspedes com passaportes americanos e britânicos, tomando reféns e trocando tiros com a polícia durante toda a madrugada. Os homens chegaram de barco, na quarta-feira, e se espalharam para atacar dois hotéis cinco-estrelas, a principal estação de trem da cidade, um hospital, um restaurante popular e um centro judaico. Segundo a polícia, eles usaram armas automáticas e dispararam indiscriminadamente. O desconhecido grupo Deccan Mujahidin assumiu a autoria dos atentados em e-mails enviados a vários jornais e TVs. Um dos homens que teria participação nos ataques exigiu a libertação de companheiros detidos em prisões indianas.   "Os ataques bem planejados e bem orquestrados, provavelmente com ligações externas, tinham como objetivo criar uma sensação de pânico, ao escolher alvos importantes e matar indiscriminadamente estrangeiros", disse o premiê. Nesta quinta, militares indianos libertaram os reféns no hotel Taj Mahal. Mais tarde, a polícia retirou pelo menos sete pessoas do hotel Oberoi. Um dos reféns disse aos jornalistas que viu muitos cadáveres no hotel. Ele se negou a dar mais detalhes, pois prometeu aos policiais que não falaria da operação de resgate antes da conclusão. Há também agressores com reféns em um edifício chamado Nariman House, no distrito de Colaba, no sul de Mumbai. O prédio é a sede do Chabad Lubavitch, um movimento ultraortodoxo judaico. Um rabino, Gavriel Holtzberg, estaria entre os reféns.   Houve um incêndio e explosões no Taj Mahal, onde se escutaram gritos e era possível ver enormes nuvens de fumaça negra saindo do edifício de um século, localizado de frente para o mar. Bombeiros jogavam água sobre as chamas e retiravam pessoas pelas janelas e varandas com escadas. Segundo S.S. Mukherji, vice-diretor do Grupo Oberoi de hotéis, cerca de 200 pessoas seriam reféns no luxuoso hotel Trident. Mukherji disse que havia 380 hóspedes no hotel, no momento da invasão   A agência Press Trust of India divulgou que o grupo Deccan Mujaheddin, pouco conhecido, assumiu a responsabilidade pelos ataques, em e-mails enviados a vários meios de comunicação. As autoridades afirmaram que a polícia matou quatro suspeitos que tentavam escapar em automóveis e outros dois no Taj Mahal. O ministro do Interior do Estado. R. R. Patil, afirmou que outras nove pessoas foram presas, mas não quis dar detalhes.   Um porta-voz da Marinha indiana afirmou que as forças do país estavam ocupando um navio, suspeito de ser relações com os ataques. A embarcação, identificada como MV Alpha, passou recentemente por Mumbai, vinda de Karachi, no Paquistão, segundo o funcionário, capitão Manohar Nambiar. A fonte indicou que haveria uma revista no navio.   A agência indiana PTI citou uma fonte "crível", que disse que os terroristas são paquistaneses, mas o Paquistão foi rápido em condenar os atentados. Antes da condenação de Singh, a dirigente do governamental Partido do Congresso, Sonia Gandhi, havia mostrado sua repulsa aos ataques e os qualificou como um "desafio para a nação", segundo a agência PTI.

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