Índia acusa militantes islâmicos por ataque

O governo da Índia afirmou hoje ter evidência de que um grupo militante islâmico baseado no Paquistão executou o ataque suicida contra o Parlamento indiano, que deixou 12 mortos. O ministro do Exterior, Jaswant Singh, disse que a Índia exige que o governo do Paquistão prove seu comprometimento com a luta contra o terrorismo internacional suspendendo as atividades de dois grupos militantes islâmicos, prendendo seus líderes e congelando seus bens.Cinco homens armados com fuzis AK-47 e explosivos invadiram o complexo do Parlamento indiano na quinta-feira num ataque suicida, matando também seis seguranças e um jardineiro. Ninguém assumiu responsabilidade pela ação, mas o ataque elevou a tensão entre os vizinhos com armas nucleares Índia e Paquistão. A Índia colocou suas Forças Armadas em alerta depois do ataque, mas não houve indicação de que o Paquistão tenha feito o mesmo."A Índia tem evidência técnica de que o ataque terrorista de ontem... foi obra de uma organização terrorista baseada no Paquistão, a Lashkar-i-Tayyaba", afirmou Singh. O porta-voz do Ministério do Exterior paquistanês, Aziz Ahmed Khan, respondeu que "o Paquistão é contra o terrorismo em todas as suas formas e manifestações". "O presidente general Pervez Musharraf e o governo já condenaram o incidente", acrescentou.Khan disse que "não é suficiente simplesmente emitir um comunicado", a Índia "tem de oferecer alguma evidência" que será examinada. Perguntado se a Índia agiria dessa forma, Singh afirmou que "nenhum país revela sua metodologia na coleta de evidências". A Índia exigiu uma ação do Paquistão contra o Jaish-i-Mohammed, acusado de promover um ataque suicida a bomba contra a assembléia estadual de Jammu-Caxemira em 1º de outubro. No assalto morreram 40 pessoas. "O Paquistão tem declarado que está com o resto da comunidade internacional no combate ao terrorismo e que não promove o terrorismo", afirmou Singh. "Esperamos que o Paquistão cumpra o que diz".A Índia tem sido cética sobre o novo papel do Paquistão de aliado-chave na guerra global liderada pelos EUA contra o terrorismo. Singh disse que a Índia exige que o Paquistão "cumpra suas obrigações e compromissos na contenção do terrorismo".Em Islamabad, Yahya Mujahid, porta-voz da Lashkar-i-Tayyaba, afirmou que as acusações de Singh são "um monte de mentiras". "O ataque foi patrocinado pela própria Índia", disse. "Todo o drama foi montado para satanizar grupos islâmicos da Caxemira e para envolver o Paquistão".Singh não quis revelar as evidências que a Índia teria contra a organização militante, mas disse que a informação foi compartilhada com os Estados Unidos e outros países. O presidente dos EUA, George W. Bush, ofereceu os serviços do FBI e de especialistas em terrorismo do Departamento de Estado para encontrar os responsáveis quando telefonou para o primeiro-ministro Atal Bihari Vajpayee para expressar solidariedade na noite de ontem."Os eventos que ocorreram ontem foram perpetrados por terroristas não diferentes em seus objetivos daqueles que atacaram a América em 11 de setembro", afirmou hoje o embaixador americano, Robert Black, numa visita de condolências ao Parlamento.A Índia há muito acusa o Paquistão de patrocinar militantes islâmicos que lutam pela independência na disputada província himalaia da Caxemira. A Índia e o Paquistão já travaram duas guerras pelo território, agora dividido entre os dois.O Paquistão afirma que apóia a causa das guerrilhas mas nega que ajude ou financie grupos baseados em seu território. Mais de 100 parlamentares da coalizão do governo reuniram-se hoje com Vajpayee, e exigiram que a Índia ataque e destrua campos de militantes na parte da Caxemira controlada pelo Paquistão. Na quinta-feira o gabinete havia emitido um comunicado afirmando que "vamos liquidar os terroristas e seus patrocinadores, onde quer que estejam, sejam eles quem forem".

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